crónicas da xávega (131)


aparelhar da mão de barca

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e não são de cânhamo estas cordas

o massa e o bruno colocam um rolo de corda da mão de barca dentro do barco.

a cala da mão de barca fica debaixo do paneiro da proa até ao traste da proa

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encontram-se as mãos no esforço, a companha é isso mesmo

(torreira; companha do marco; 2009)

crónicas da xávega (130)


muleta, mão de barca, regeira

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anda areia no ar junto com poalha de água

recordando

quando os barcos eram “empurrados” por uma  muleta como a que se vê nesta foto, o barco era mantido na perpendicular à praia, com a ajuda de duas cordas:

– a mão de barca, cala do aparelho que ficava em terra, que o arrais amarrava à bica da ré e ia largando conforme as possibilidades e as necessidades

– a regeira, corda presa ao golfião de bombordo da proa e que estava preso a um bordão enterrado na praia e da responsabilidade de um camarada da companha (enquanto foi vivo e lá trabalhou, era o ti antónio neto que o fazia)

a terceira corda que se vê na foto é a que está amarrada à muleta, para quando o arrais a soltar poder ser recuperada para terra.

vê-se areia por todo o lado porque o motor está a trabalhar e quando a onda recuou deixou-o em seco e o barco não largou como era de esperar.

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a cores as cordas são bem visíveis

(torreira; companha do marco; 2009)

crónicas da xávega (129)


o meu amigo luciano

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um dos momentos mais arriscados para os pescadores de terra, é o prender dos ganchos nos arganéis do barco, no momento de arribar.

ou quando já com o barco no mar é preciso trazê-lo de novo para terra e esperar por nova oportunidade.

neste registo qualquer uma dessas situações pode estar a acontecer, se o arrais tiver decidido arribar de popa.

tractores, arrais, pescadores de terra e mar, têm de ter em atenção não só as ondas, como a possibilidade de um movimento lateral do barco lhes esmagar as pernas.

o luciano, não grita por medo, grita para orientar o tractor, provavelmente para lhe dizer que está preso o gancho porque é responsável e que puxe o barco para a praia.

 

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(torreira; companha  do marco; 2009).

crónicas da xávega (128)


são pescadores

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o chegar do saco

há quem deixe nome
obra e fama
herança quanto baste

há quem nada deixe
porque nada foi
no tanto de ter sido

oferecem o corpo
ao mar
vestem-se de vento
e areia

perdem-se à noite
por onde mais
ninguém senão eles

são ninguém
são gente
são pescadores

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há os que partiram, os que resistem e os que já não voltam

(torreira; companha do marco; 2009)