caminho pelas palavras
caminho pelas palavras descalço
basta
há tanto para dizer e são tão poucas as palavras resumo-me ao fazer ao saber que se quisermos faremos e seremos digo basta e tu sabes que outra palavra por detrás digo basta e dói-me esta gente desiludida a votar no engano há tanto para dizer não basta escrever não outra vez não basta
o conjunto de poemas ” ….. branco ….” faz parte do livro ” A incidência da luz”
posso?

maravilha esta música nas janelas escrita pela chuva quando a água cai do céu fico assim parada no tempo de sentir tudo vontade de mãos para além do vidro onde a terra as chama desejo de sentir no corpo a escrita da chuva nas poças de água os pés a correrem sem mim mãe quando chove apetece-me abrir a porta e ir dançar ao som desta música de água que o céu deixa cair posso?
inocentes

pedem-me que cale que não ligue denunciar é dar palco dizem e quedam-se no seu saber calado há a poesia a música o cinema o futebol há a cultura costas largas há o que não nos divide porque não é relevante há o silêncio que consente peço-lhes que falem que digam o que pensam se existem além do pensar calados críticos de tudo aí estarão no fim do caminho limpos sorridentes e isentos acabados de nascer e ainda por lavar
o poema “Pedido à Mãe” faz parte do livro “Epilepsy Dance”
é dia ainda
é dia ainda e já se ouve o uivar do lobo a memória acende nos lábios as palavras guardadas quase esquecidas necessárias é dia ainda e já se sente o fedor da besta junta-se na praça a alcateia vindos de longe respondem ao chamado sedentos de carniça é dia ainda e já sabemos que o uivo o fedor mau prenúncio são ao engano quantos irão
“Poema V” pertence ao conjunto “MELODIA” de 1932, inserto no livro “Poesia I”