regata da ria 2016 (7)


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cavilha de madeira no casco de um moliceiro

vamos às contas (para que fique escrito)

…………….
“…. 16,930€ acordados para a regata de 2015, …… valores similares pagos aos moliceiros, quer em 2013, quer em 2014, rondando os 50.000€….. “

(extracto de um documento que tenho em minha posse)
………….
sublinho a afirmação “valores similares pagos aos moliceiros”, afinal os moliceiros não têm razão de queixa, ou será que há aqui alguma confusão.

melhor seria aclararmos um facto: há os valores pagos aos moliceiros e os valores entregues à organização da regata da ria.

separemos os valores.

partindo de informações que obtive junto dos moliceiros concorrentes e somando:

pagamentos aos moliceiros

2014 – prémios de presença: 6.000 euros; prémios de painéis: 1.000 euros; prémios de regata: 550 euros. EM 2014 OS MOLICEIROS SÓ RECEBERAM 7.550 EUROS!!!

2015 – prémios de presença: 6.000 euros; prémios de painéis: 1.000 euros; prémios de regata: 600 euros, prémio tradição: 800 euros. EM 2015 OS MOLICEIROS SÓ RECEBERAM 8.300 EUROS!!!

2016 – prémios de presença: 6.600 euros; prémios de painéis: 1.000 euros; prémios de regata: 600 euros, prémio tradição: 800 euros. EM 2016 OS MOLICEIROS SÓ RECEBERAM 9.000 EUROS!!!

pagamentos à organização

de acordo com o documento citado no início, foram perto de 17.000 euros ano, podemos partir de princípio, até prova em contrário, que em 2016 o valor terá sido o mesmo.

fazendo umas fáceis contas de subtrair, pode-se ver com quanto poderá ter ficado a organização da regata em cada ano: 2014 – cerca de 9.500 euros; 2015 – cerca de 8.700 euros; 2016 – cerca de 8.000 euros

para receber tanto dinheiro, a organização deve ter encargos muito grandes com a regata, não acham? mas encargos com quê?
2 almoços (para os concorrentes)
seguros
licenças
medalhas e taças
outras despesas

será que alguém acha que estes encargos chegam perto de 1.000 euros? e mesmo se chegarem a 2.000, um absurdo, ainda fica muito dinheiro. façam vocês as contas que eu não sou capaz, não é uma questão de matemática, é de princípios.

QUEM É QUE QUER CONCORRER À ORGANIZAÇÃO DE UMA REGATA DA RIA? SÃO VALORES INTERESSANTES QUE FAZEM SEMPRE FALTA A GENTE DESINTERESSADA.

(desculpem, esqueci-me de uma coisa, se calhar não é por concurso, estou cada vez mais cego)

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regata da ria 2016 (6)


parabéns zé rito, bravo maria emília prado e castro

classificação da prova de pintura de painéis:

1º Zé Rito

2º Marco Silva

3º O Amador

4º A. Rendeiro

5º Sermar

no final da decisão do júri, foi entregue pela organização a totalidade do valor devido aos donos dos moliceiros, pela participação e competição ( regata e painéis). foi cumprido o prometido.

não houve alteração de valores em relação ao ano passado – eu esperava algo mais, mas quem me manda a mim sonhar? – e na regata só houve prémios monetários até ao 3º classificado, quando o usual era ir até ao quinto.

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maria emília prado e castro a escoar o S. Salvador

 

mas na publicação de hoje, sobre a regata da ria de 2016, queria contar-vos a história de um barco, o S. Salvador.

construído pelo mestre antónio esteves ( pardaleiro) para a junta de freguesia de s. salvador, ílhavo – penso que em torno de 2010 – chegou a participar em algumas regatas, com tripulantes locais.

em 2013, depois de reparado e aparelhado por marco silva, participou na regata da ria e venceu-a, tendo como arrais marco silva.

em 2014, por dificuldades financeiras não participou em qualquer regata e, comprado em hasta pública por miguel matias, só viria a participar na regata da ria 2015.

em 2016, foi vendido por miguel matias a maria emília prado e castro, que lhe botou vela e participou na regata, com o apoio de alfredo rebelo e sérgio silva, garantindo um honroso 5º lugar.

é para ela o meu bravo, à mulher que sentiu que um verdadeiro moliceiro é para ter vela e andar na ria.

bravo, maria emília prado e castro, dona de um moliceiro, que não tem medo de pegar num vertedouro e escoar água do seu barco. uma mulher assim, só pode ser admirada por todos os que amam os moliceiros tradicionais e entendem que a história se faz todos os dias e por cada um de nós.

acho que posso falar por todos os moliceiros se disser de novo:

BRAVO! MARIA EMÍLIA PRADO E CASTRO

(nota, a breve história que aqui apresentei do S. Salvador, poderá ter alguns lapsos de datas, por falta de elementos concretos e atempados, mas não andará muito longe da realidade)

regata da ria 2016 (5)


abraço ti virgílio, parabéns zé rito
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o “cristina e sara” do ti virgílio na regata da ria 2010

depois de ter assistido a mais uma regata da ria, queria saudar aqui o ti VIRGÍLIO, que deixou de participar nas regatas, por ter ficado sem barco, o seu belíssimo “Cristina e Sara”, que não voltaremos a ver.
é dele e do seu barco a foto com que celebro a regata de 2016, a primeira a que assisto sem ele. lembro que quando em 2012, fomos a aveiro em protesto contra o cancelamento da regata, o ti VIRGÍLIO foi um dos poucos moliceiros que participou.
para o ti VIRGÍLIO o meu abraço.
este ano participaram na regata 8 moliceiros da classe A – grandes- e 3 da classe B -pequenos
classificação final:
Classe A
1º Zé Rito
2º A. Rendeiro
3º Marco Silva
4º Manuel Vieira
5º S. Salvador
6º O Amador
7º Dos Netos
8º Câmara Municipal da Murtosa
Classe B
1º Pequenito
2º Sermar
(o Ecomoliceiro – não terminou)
parabéns, zé rito
a regata terminou em aveiro, recebida pelas entidades oficiais habituais, que cumprimentaram e felicitaram todos os concorrentes.
MEUS AMIGOS, NÃO ESTAVA LÁ NENHUMA!!!!!!!!!!!!!!

regata da ria 2016 (4)


pintura geral

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ao mestre construtor, que fez a reparação de manutenção do moliceiro, poderá também competir, dependendo do contratado, a pintura geral da embarcação.

neste registo o mestre zé rito, com o moliceiro virado, dá início à pintura exterior.

com esta foto termina a descrição sumária do “antes da regata”, amanhã é dia dela.

um dia que ficará tristemente para a história, com a associação do kite surf à regata da ria.

para além de lamentável em si mesmo, porque se intromete num evento de cariz tradicional, é mais grave ainda porque apadrinhado pela entidade organizadora da regata – o rancho folclórico camponeses da beira ria -, pelo município da murtosa – quer institucionalmente, quer através do presidente do rancho folclórico que é vereador da câmara – e, espante-se, porque aos moliceiros participantes da regata nada foi dito a este respeito.

mas nesta terra, como dizia um amigo meu, já nem me espanta ver um porco a andar de bicicleta.

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(torreira; 30 de junho, 2016)

regata da ria 2016 (3)


reparação e manutenção dos moliceiros

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o mestre zé rito

depois de quase um ano a céu aberto, em seco e na água, a estrutura dos moliceiros sofre sempre deterioração.

por isso, para poderem participar na regata, é necessário proceder à revisão do estado geral da estrutura e proceder às operações de reparação necessárias.

na publicação anterior falei das pinturas, nesta é a vez de falar da arte de carpintaria naval.

a maior parte dos moliceiros que correm nas regatas e não pertencem a nenhum mestre construtor, vem à revisão e reparação, no estaleiro do mestre zé rito, na torreira.

neste registo vê-se o mestre a reparar o bordo de um moliceiro, mas a actividade nas semanas que precedem a regata da ria, a primeira de cada ano, é grande.

aproveito para relembrar, que se o dono de um moliceiro resolver pintar de novo o barco, muitas vezes precisa, e fazer as reparações necessárias para fazer as regatas em segurança, não lhe bastam os prémios de presença e competição -se ganhar algum – para cobrir todas as despesas.

não digo mais nada, porque o resto já imaginam, depois de tudo o que tenho vindo escrever a este respeito.

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(torreira; 29 de junho de 2016)

regata da ria 2016 (2)


as pinturas dos painéis e as decorações dos moliceiros

 

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a beleza do moliceiro não reside somente na elegância da suas linhas, as pinturas dos painéis da proa e da ré, fazem de uma regata de moliceiros a única “galeria de pintura flutuante e em movimento” em todo o mundo.

há 25 anos que o pintor josé manuel oliveira e, nos últimos anos, o pai , necas lamarão, se dedicam à pintura de painéis e decorações dos moliceiros.

da invenção da pintura às legendas, são eles, raramente com a ajuda dos donos dos moliceiros, que fazem este reencontro com a tradição.

nem sempre é fácil conseguir juntar pai e filho no mesmo registo, não é fácil mas, desta vez , consegui.

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(torreira; 27 de junho de 2016)

joão damasceno na casa da escrita (excertos)


coimbra, 28 de junho de 2016.


há exactamente 6 anos, o poeta joão damasceno partiu e deixou-nos as suas palavras, ou seja, ficou mesmo tendo partido.

deixou-nos um livro por editar ” CARTA DE PROBABILIDADES DE EROSÃO CELESTE”. o lançamento desse livro – composto e impresso pelo irmão rui damasceno, na tipografia da família – realizou-se hoje na casa da escrita, em coimbra.

este vídeo pretende apenas mostrar alguns excertos da homenagem.

a seu tempo publicarei a versão integral.

hoje houve uma geração que se chamou “joão damasceno” .

(a sessão foi aberta pelo curador da casa da escrita,  antónio vilhena, e a apresentação do poeta feita por joão rasteiro. paulo archer falou sobre a obra e a vida do amigo joão. a poesia foi dita pelo irmão rui damasceno acompanhado pelo sobrinho pedro damasceno)

regata da ria 2016 (1)


o homem e o Homem

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nunca saberás a força
que os move
o amor nesta mãos
floresce vela

a ciência que ambiciona
tudo querer explicar
queda-se muda
perante estes homens

do amor que os cega
se valem os que nada mais vêem
que dinheiro fácil

de muito poucos
se refazem muitos e remoçam

a regata da ria 2016
começou
quisera eu algo mais

o homem é o maior
inimigo do Homem

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(torreira; 27 junho de 2016)