crónicas da xávega (160)


só esses

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a companha carrega o saco na zorra

vêm da terra as vozes
que não ouvimos
o termos nela raízes
é o silêncio de sermos
sem necessidade de alarido

escrevo nós
e não é o pronome que ouço
são os laços
tão fortes e tão frágeis
que o tempo romperá a seu tempo

não precipites os dias a haver
vítima serás
se carrasco quiseres ser

abraço quem me abraça
escreveu o poeta
eu também

só esses

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todos unidos, são a companha

(torreira; companha do marco; 2015)

os moliceiros têm vela (211)


“CORREIO

Chegam cartas, chegam pedaços
do meu país
Chegam vozes. Chega um silêncio que me diz
as revoltas as lágrimas os cansaços.
Chegam palavras que me apertam nos seus braços.

………..

Manuel Alegre

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dou-vos a minha palavra

desabitado espaço este
o de haver palavra dada
e ser cumprida

sei que sou português aqui
josé fanha
e o sabê-lo faz de mim mais
do que o que sou
sou os portugueses que de mim
precisam e em mim confiam

sou a minha palavra
a dada aos que o meu respeito
merecem por serem
como muito poucos
portugueses aqui também
para o serem ainda mais além
do que nesta parca geografia
que os sufoca

cresci com homens bons
gente da terra porque a terra neles
não será agora que negarei
a herança

dou-vos a minha palavra

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(cais do bico; murtosa)

os moliceiros têm vela (210)


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PAGUEM O QUE DEVEM AOS MOLICEIROS

enviem esta mensagem para:

geral@regiaodeaveiro.pt

que é o mail da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro – Baixo Vouga (CIRA), organizadora da regata da ria 2015.

não basta gostar dos moliceiros é preciso lutar por eles e com eles

geral@regiaodeaveiro.pt –  PAGUEM O QUE DEVEM AOS MOLICEIROS

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(torreira; regata da ria; 2013)

postais da ria (160)


nem isso

(TABACARIA

Não sou nada. 
Nunca serei nada. 
Não posso querer ser nada. 
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
………………. 

Álvaro de Campos)

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sequer os sonhos
apenas estas linhas
perdidas no branco

esta sombra
coisa nenhuma
a esvair-se

ao fundo
muito ao fundo
uma voz

nem isso

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(torreira)

postais da ria (158)


o meu amigo raul

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como se houvera um caminho
na ria e ele o soubesse
é em direcção ao mar sabemo-lo

parca paga para tão pouco
mesmo se muito
não sustenta família

é no alto mar
que fazem vida os homens daqui

a ria é cada dia mais
para quem espera partir

ou regressou
acabado o tempo
de partir de novo

o caminho raul
é para a barra

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(torreira)