tende vergonha na cara

há moliceiros na ria
à espera que lhes paguem
até quando?
não acham que já chega?
como diziam os antigos:
tende vergonha na cara!

(torreira; regata da ria; 2010)
tende vergonha na cara

há moliceiros na ria
à espera que lhes paguem
até quando?
não acham que já chega?
como diziam os antigos:
tende vergonha na cara!

(torreira; regata da ria; 2010)

no dia 30 de abril, de 2016, às 10h da manhã, na rampa do porto de abrigo dos pescadores da torreira, todos os que puderam assistiram ao bota-abaixo do M. Fátima.
alguns, como eu, tiveram ainda o prazer de fazer uma pequena viagem na ria, sonhando já com a a primeira ida ao mar.
o M. Fátima ficará na história por 2 razões principais, que outras haverá:
– é primeiro barco de mar a ser construído na torreira
– é o primeiro barco de mar construído pelo arrais e não, como todos os outros, encomendado a um mestre carpinteiro naval
gostava de não o escrever, mas o M. Fátima depois de ser o primeiro em tudo o que atrás disse, pode também, e infelizmente,
ser o último barco de mar a ser construído. quem que a história me venha a contradizer.
por tudo isto estão de parabéns o arrais marco silva, albina amador, jorge carriço, ricardo silva e josé oliveira, cujos nomes ficarão para sempre associados à construção e pintura deste barco.
haja peixe e bons preços, que bons mestres e boa companha aqui temos, para que o M. Fátima trabalhe por muitos anos.

e vai ao mar
enquanto o novo M. Fátima espera que as burocracias se completem para ir ao mar, aqui fica uma recordação de 2012, do barco agora em descanso.
brava gente esta, a dos homens da xávega. saibam respeitá-los e dar-lhes condições de trabalho.

momentos de mar
(torreira; companha do marco; 2012)
a magia da ria

há imagens que nos pregam
ao chão
que nos prendem os olhos
as cores as gentes o céu
o estar ali
deslumbrado com tanto
a ria por vezes é pura magia
como senti no momento em que
não fui capaz de para de disparar
enquanto que pensava
por mais que faça
nunca nada será mais belo
que o estar aqui
assim sintas a ria um dia

o henrique e o padas safam as redes da solheira, o léo, na bateira do pai assiste
(torreira; o safar das redes)
os moliceiros têm vela (206)

o “marco silva” e o ” zé rito”
regata da ria 2015 – paguem aos moliceiros!
quase um ano depois, a regata realizou-se nos dias 27 e 28 de junho, os participantes na regata ainda não receberam os prémios de classificação, tradição e painéis – estamos a falar de um valor global de 2.400 euros a distribuir, uma fortuna!!!!!!!!!!! mas que faz muito falta aos donos dos barcos que concorreram e que, tudo somado, não chega para os gastos.
para participarem na regata, os donos dos moliceiros tiveram de reparar e pintar barcos e painéis – uma despesa média de 1.500 euros por barco.
a organização da regata e pagamento dos prémios foi da responsabilidade da “Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro” e publicitada como atracção principal daquilo a que chamaram “Aveiro Weekend”.
(vejam por favor e leiam)
atendendo ao historial dos atrasos dos pagamentos por parte dos organizadores, a câmara municipal da murtosa, pela boca do seu presidente, comprometeu-se a pagar os prémios, caso houvesse atrasos. é facto que o prémio de presença foi pago antes da regata do s. paio, princípios de setembro, quando a regata da ria tinha já sido em final de junho. quem pagou não se sabe.
repito: os prémios de classificação, de painéis e tradição, quase um ano depois, continuam por pagar.
E VIVAM OS MOLICEIROS E O AVEIRO WEEKEND
assim vamos pela ria de aveiro, a tal que se celebra pelos moliceiros mas a quem os responsáveis não pagam.
é tão bom “botar” figura com o dinheiro dos outros.
para 2016 já há programa http://www.cm-ilhavo.pt/frontoffice/pages/2056?event_id=2084
PARTILHEM A BEM DA NOSSA TERRA, DA RIA DE AVEIRO E DOS MOLICEIROS.
(ria de aveiro; regata da ria; 2015)

quando o “marco silva” começou a ganhar “terreno”, para terminar em primeiro
o “marco silva” e o “zé rito” em recachia. no final acabou por ganhar o “marco silva”

depois da apanha a escolha
já cheira a mar

o segredo da escolha está nas mãos e nos olhos
o delmar viola escolhe o carapau de acordo com o tamanho
(torreira; companha do marco; 2014)
abril vinte e cinco e os cravos

dos cravos não consta
que espinhos
não os temas por isso
não tos vi hoje na lapela
e admiro-te
na sinceridade de os não
teres posto
aí onde estás lustroso
sorridente
aos cravos o deves
ou será que aí estarias
mesmo sem eles
sem democracia?
nunca se sabe

(ria de aveiro; torreira)

a crise de 69, em coimbra, vista por rui namorado e comentada por adelino castro, alberto martins, pio de abreu e strecht monteiro.
o livro, para além do abundante acervo documental, enquadra a crise no contexto politico nacional e internacional, movimentos precedentes e posteriores.
o vídeo regista a sessão de apresentação, no dia 16 de abril, de 2016, no auditório da faculdade de economia da universidade de coimbra. inseriram-se as fotos do acervo de rui namorado, constantes do livro e na sequência em que nele surgem.
abril vinte e quatro

abril vinte e quatro
mil nove setenta e quatro
não sabíamos de amanhã
do amanhã que hoje
sabemos que ia ser
recordo os mortos nas
guerras criminosas no
silêncio das prisões às
mãos sádicas de não homens
que vimos condecorados
para nossa vergonha
depois de
abril vinte e cinco
quarenta e dois anos depois
é amanhã e podemos sair
à rua e por sermos mais de dois
não seremos presos

(torreira; regata do s. paio; 2012)