postais da ria (145)


joão manuel brandão (3)

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sofridas letras
esculpidas na carne
escritas no rosto

saber os caminhos
do suor ao oiro
da dor à fortuna

é uma outra ria
onde é sempre
maré vazia
cheia de lamas
apodrecidas
depositadas
nas margens

este é o postal
que não encontrarás
no sítio habitual

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(torreira; cabrita alta; 2012)

crónicas da xávega (141)


resistir

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o ti américo na manga do reçoeiro, no alador

a manga no alador
corre
o fim do lanço quase

os anos pesam
mais a rede
mais a necessidade

a língua espreita
o esforço
as ganas de continuar

um homem não é
uma máquina
resiste resiste resiste

está vivo muito

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conhaque é conhaque, serviço é serviço

(torreira; companha do marco; 2015)

 

postais da ria (143)


joão manuel brandão (1)

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das muitas artes de pesca que ainda se praticam na ria e que pude acompanhar de perto, a arte da “cabrita alta”, para apanhar bivalves é, sem dúvida, a mais dura.

com o joão manuel brandão e o joão manuel dias, em 2012, pude ver de perto o sofrimento que provoca no mariscador.

as fotos que vou publicar são do joão manuel brandão e mostram bem o esforço que se lhe espelha no rosto.

coluna, joelhos, braços, pernas, todo o corpo é uma máquina que se desgasta nesta arte duríssima e que, mais dia menos dia, os leva ao bloco operatório ou à fisioterapia.

parca paga, enorme o desgaste, maior a despesa.

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(ria de aveiro; torreira; cabrita alta; 2012)