crónicas da xávega (135)


quisera-me lá

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o arribar do calão do reçoeiro

haver ainda mar
por onde olhos
se perdem

se esvai
a raiva imensa
de saber que homens
lobos de homens

sou areia onde espuma
chega-me o sal aos olhos
navego para longe

quisera-me lá

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o delmar à direita e o ti augusto de boné ao fundo à esquerda

(torreira; companha do marco; 2013)

os moliceiros têm vela (186)


na vela o vento

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com duas velas

ser ainda árvore
depois da tempestade

deixar que o vento siga
a sua eterna viagem

fundas as raízes na terra
escrevem o teu nome

sorris sem saber como
nem para quem

mais forte o sorriso
que o vento

na vela

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que beleza é esta?

(torreira; regata da ria; 2011)

postais da ria (135)


a capa

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o salvador e o falecido pai, ti domingos, cirandam berbigão

não lhes conheces
o rosto o nome
o quanto

à mesa saboreias
o que deles

olhas os registos
estudas contrastes
enquadramentos

outro repasto
para outro prazer

regressarás quando
só porque viste
saboreaste sentiste

mas não lhes sabes
o nome o rosto
a vida

não contas a estória
lês do livro a capa

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as cores da ria não dizem tudo das suas gentes

(torreira; cirandar)

postais da ria (134)


ser feliz aqui

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caminho pelo olhar
e sonho

ignoro o por detrás
e fico-me

pela superfície vazia
onde tudo

pode ser o que eu
quiser

despedi da paisagem
o ruído

das gentes e seus dramas
esqueci

o indesejável saber da
injustiça

inventei ser feliz aqui

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(torreira; porto de pesca)