crónicas da xávega (477)


para o meu amigo agostinho trabalhito

apanhei rente ao mar  
três seixos rolados
de cores diferentes
como diferente é tudo

entrechocando-se na mão
produzem um som áspero
um som de memória perdida

encostados ao ouvido
nada dizem
são simples pedras
não búzios

também eu
trago no corpo o mar
o mar que ninguém ouve

(torreira; 2016)

postais da ria (407)


torreira; colher; 2009
onde estive
para onde vou
tudo isso faz de mim
o que sou

um eterno caminhante
com apeadeiros
esporádicos onde
descanso tanto
ser e tanto sentir

sei que estou vivo
olho em frente
vivendo hoje
inventando amanhãs

todos os dias são
o primeiro dia
não é sérgio
torreira; colher; 2009