
vai ao mar o saco, a lavar

vai ao mar o saco, a lavar





dos lábios
em flor se abrem
para serem beijo

(torreira; 2011)
sem tempo

recriação de um lanço de xávega
é tempo do tempo
depois do tempo
tempo lembrado
onde fui
dentro do que foi
tempo reconstruído
o meu tempo
tempo guardado
tempo oferecido
sem tempo

recriação de um lanço de xávega
(torreira; 2013)
mau feitio

os rilho, pai e filho, a mesma faina
chamam-lhe rio
e é salgada a água
chamo-lhe memória
e é cada vez mais isto
imagens penduradas
nos olhos onde amigos
nascentes de sentir
chamo-lhe mar e digo
há outras praias
onde a mesma gente
com outros nomes
a mesma arte
tens mau feitio dizem
sabes não é fácil
ser rio de água salgada
(torreira; cirandar; 2016)
vou

falo do incerto
do por vir
todo o início é
teremos o tamanho
dos dias
que fizermos nossos
todo o caminho é
falo dos amigos
e a palavra fica por vezes
somente letras
incertos os dias
o por vir os amigos o caminho
incerto eu
na incerteza de tudo
se abrem os dias
por onde vou vou vou

(torreira; 2010)
ao ano novo

ofereço-te os dias
onde fui mais que eu
por sobre a ria
as minhas aves voam
para poisar no sol
que cresçam contigo
e continuem a voar

(torreira; regata do s.paio; 2014)
presunção

o meu amigo vitó (falecido)
quando eu já cá não estiver
e te sentares numa rocha
à beira mar
talvez te lembres de mim
talvez
(torreira; 2013)