na areia
invisitada
de uma praia
algures
plantarei
as palavras
sem saber sequer
se alguém as lerá
aí serei
(torreira; 2011; o descanso da guerreira)
contas o tempo em máquinas e outros artefactos acaso pensaste no tempo de ser? quantas horas tem um minuto de dor? quantos meses um dia de fome? quantos anos um sorriso de uma criança? quantos séculos se inscrevem nos rostos crestados pela terra e o sal? são de gente os ponteiros do meu relógio diverso tempo este onde a morte espreita
(praia de mira; 2009)
que dizer-vos destes tempos em que assisto a tentativas sucessivas de assassinato da memória? que dizer-vos da raiva angústia desespero destas gentes que são as as minhas que são as nossas que somos nós? quem seremos amanhã se nos querem roubar o hoje o ontem? quem seremos amanhã se nos querem roubar o sermos? o povo será sereno mas até a serenidade tem limites até quando?
Jornal de notícias (17/7/2012)
Pescadores revoltados com
“perseguição dos fiscais”
MIRA
Arte xávega critica intransigência das autoridades no cumprimento da lei comunitária
FURIOSOS, indignados e à beira de um ataque de nervos. assim que estão os pescadores das 22 companhas da arte xávega, entre Espinho e Leiria, que ontem encheram por completo o salão nobre da Câmara de Mira, numa reunião promovida pela autarquia local, com o objetivo de ouvir os protestos de quem tem sido “vítima” de uma “apertada fiscalização” e obrigado a devolver ao mar milhares de carapaus imaturos (com menos de 12 centímetros de comprimento).
“A ar te xávega é cega. Quando os pescadores lançam as redes – todas elas legais e sistematicamente alvo de fiscalização – ao mar, não sabem o que vão pescar. E quando o peixe chega a terra, já vem morto. Não dá para devolver à água. Fazê-lo, como impõe a Lei, é prejudicial para todos. Desde logo para o meio ambiente”, afirmou, durante a reunião, o vereador Miguel Grego, lembrando que “a praia de Mira, onde trabalham um terço das companhas de xávega do país, é a única em todo o mundo com bandeira azul há 26 anos consecutivos”. Por isso, sublinha o autarca socialista, “não podemos andar a atirar peixe morto para o areal”. Mais do que contestar as regras comunitárias sobre o tamanho do carapau , os pescadores criticam duramente a “intransigência das autoridades fiscalizadoras”.
José Vieira, dono de uma embarcação, defende “quotas para cada companha”.
João Reigota, presidente da Câmara de Mira, prometeu convocar uma reunião com todos os partidos com assento na Assembleia da República, a quem vai pedir ajuda.
Miguel Gonçalves
miguelgoncalves@jn.pt
Ontem, dia 16 de Julho, pelas 16 horas decorreu na Câmara Municipal de Mira uma reunião do executivo camarário com patrões e arrais de xávega, da costa portuguesa, que debateu as novas regras aplicar ao tamanho (do carapau) e quotas de pescado (sarda), e a forma como podem afectar a sobrevivência desta arte de pesca artesanal e centenária na nossa costa.
A xávega tal como é praticada na costa ocidental portuguesa é única no mundo e pode estar definitivamente condenada ao desaparecimento, caso lhe sejam aplicadas as regras anunciadas.
O responsável pela convocação da reunião foi o patrão e arrais José Vieira da Praia de Mira.
A reunião apoiada e patrocinada pela Câmara Municipal de Mira, foi presidida pelo Presidente da autarquia, Dr. João Reigota, ladeado por dois vereadores do executivo municipal, nomeadamente pelo Dr. Luís Grego que representa a autarquia no sector das pescas.
O tema que preocupava todos os pescadores, arrais, patrões e vendedores presentes, foi provocado pela intenção de ser levada à prática, ainda este ano a exigência de que 90% do carapau pescado pelas companhas, tenha a medida mínima de 15 cm – a medida actual é de 12 cm.
Estiveram presentes todas as praias onde a xávega ainda se pratica:
Paramos: 1 (companha)
Espinho : 1 (companha)
Vagueira: 1 (companha do filho do João da Murtosa)
Furadouro: 1 (companha)
Torrão do Lameiro : 1 (companha)
Torreira: 2 (companhas)
Praia de Mira: 6 (companhas)
Vieira de Leiria: 2 (companhas)
Pedrógão: 2 (companhas)
Perfazendo 18 companhas.
Considerando que o número de companhas, estimado em conversa com os pescadores presentes, a trabalhar na costa é de 22, as presenças foram em número muito significativo.
Se as medidas anunciadas e constantes de diplomas legais, forem aplicadas, a pesca artesanal de xávega desaparece da costa ocidental portuguesa, onde se constituiu como património cultural ao longo de séculos e da qual dependem, directamente, mais de 400 famílas e indirectamente muitas mais, que vivem da atracção turística que esta arte atrai.
Os presentes aproveitaram para relatar experiências vividas no seu dia a dia de pescadores e vendedores, e que são completamente aberrantes. Vejamos alguns exemplos:
– As redes têm a malhagem legal e os barcos estão devidamente licenciados, pelo que operam dentro de todas as normas exigidas legalmente, contrariamente ao que por vezes se pretende transmitir à opinião pública.
– A pesca artesanal é cega, assenta na experiência do arrais, mas não escolhe o peixe que vai ser capturado, é o que vier na rede. O que não acontece com os barcos de pesca industrial equipados com aparelhos que lhes permitem detectar os cardumes e o tipo de peixe. Na xávega a frase mais ouvida quando o barco vai ao mar é : “ O arrais tem fé neste lanço”.
– O peixe uma vez chegado à praia, mesmo se ainda com vida, é peixe que não sobrevive se lançado de novo ao mar. É peixe morto para todos os efeitos. No entanto, se não tiver a medida, não pode ser vendido, não pode ser enterrado na areia e se for lançado ao mar como as autoridades marítimas exigem, vai poluir as praias a sul, para onde o peixe morto é arrastado pela corrente dominate de norte, poluindo-as e pondo em causa muitas bandeiras azuis.
– Mas o que é um peixe sem medida? Trata-se do apreciadíssimo “jaquinzinho” ou “pelim” – que já regalou algum secretário de estado. Ora é tradição entre os arrais que se o primeiro lanço der só peixe miúdo, não se faz mais nenhum durante a manhã, só voltando a fazer-se novo lanço à tarde. Se o pescado se mantiver pára-se a pesca.
– O interessante é que este peixe pode ser adquirido nos hipermercados, devidamente embalado, oriundo da vizinha Espanha e com a denominação de peixe do “Mediterrâneo”, onde é consumido abertamente em restaurantes.
– Para cúmulo o carapau de 15 cm de comprimento, capturado pelas traineiras no outono, não é utilizado para consumo, mas sim para a transformação em farinha.
– Num país onde há quem passa fome, deitar peixe ao mar é crime. Foi por isso proposto que o peixe sem medida, pescado nos primeiros lanços pudesse ser vendido e repartido com instituições de solidariedade social, ou famílias carenciadas. Esta proposta não foi questionada pelos presentes.
Os presentes delegaram no executivo da Câmara de Mira a sua representação junto das entidades competentes, nomeadamente nas Autoridades de Controle Pesqueiro, tendo sido informados que já estava agendada reunião entre representantes do executivo e os responsáveis da área da Figueira da Foz.
Comprometeram-se ainda os representantes da autarquia em convidar deputados dos círculos de Coimbra, Leiria e Aveiro – círculos eleitoriais das zonas onde a xávega ainda se pratica – para uma reunião com os presentes, onde se debateria a situação vivida pelas companhas, caso seja levado à vante o pretendido.
Parece que tudo se está a conjugar para que esta arte de pesca artesanais desapareça e, repito, com ela seja posta em causa a sobrevivência de muitas famílias e seja liquidado mais uma importante património histórico, único em todo o mundo, servindo sempre os interesses de países terceiros e dos grandes industriais de pesca.
Que fique bem claro: as companhas de xávega cumprem em todos os aspectos – aparelho (redes e melhagem) e barco – toda a legislação em vigor. Operam legalmente na costa e não desenvolvem, por isso mesmo, quaisquer actividades clandestinas ou ilegais.
É a própria natureza da arte e o seu modo artesanal de proceder que indirectamente é posto em causa por legislação e legisladores que desconhecem, mais uma vez, a realidade . . . . . . . ou talvez não.
diário de aveiro
http://www.diarioaveiro.pt/noticias/aveiro-moliceiros-protestam-vestidos-de-negro
notícias de aveiro
correio da manhã
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/sociedade/moliceiros-na-ria-tapados-de-preto
tvi 24
http://www.tvi24.iol.pt/videos/video/13665389
região de aveiro
http://www.regiaodeaveiro.pt/PageGen.aspx?WMCM_PaginaId=29302&projectoId=10&postId=286&detalhe=1
portal aveiro
rádio terranova
http://www.terranova.pt/index.php?idNoticia=17653
notícias de aveiro
com os painéis da proa e da ré tapados com plásticos negro, ocultas as pinturas, com bandeira negra num barco e 3 tarjas onde se podia ler “NÃO MATEM OS MOLICEIROS”, assim decorreu o protesto dos moliceiros entre a torreira e aveiro.
o cancelamento da tradicional regata torreira/aveio, foi o motivo do protesto.
estamos certos que um novo caminho se inicia e de que, para o ano, será retomada a tradição com a realização da regata, com apoios mínimos garantidos pelas entidades públicas, que usam na sua propaganda o moliceiro e ostentam como emblema e se assumem como sua pátria.
já não falo do prémio extra que mereciam pelo facto de manterem os barcos e que deveria cobrir não só os gastos com a sua manutenção, mas também assegurar um fundo de maneio que garantisse a renovação da frota e o treino de novos moliceiros na arte de condução dos barcos e conhecimento da ria para além dos estreitos limites a que hoje se confinam os mini passeios que partem do canal central.
há muito a repensar e a fazer para que o moliceiro não passe a ser somente um objecto de pintura decorativa em loiças e outras embalagens de produtos regionais.
esclareça-se que foi o turismo de aveiro que, há 27 anos, propôs a realização das regatas com os prémios de pintura, motivando desta forma os donos dos barcos para a pintura anual dos mesmos, o que só abrilhantava as regatas e dava cor à cidade nesse dia.
considero que este ano representa um intervalo na realização e a abertura para um novo modelo de organização, mais justo, potenciador da manutenção, no mínimo, da actual frota, pensar em como aumentá-la e organizado de forma diversa.
a amargura pede
o esquecimento
a luta exalta
a lembrança
assim se fez este dia
vestiram-se de negro os barcos
no colorido da cidade
a bandeira negra
ergueu-se majestosa
com ela os homens
disseram bem alto
NÃO MATEM OS MOLICEIROS
há dias que ficarão
na memória
por terem sido o princípio
quando tudo parecia anunciar
um final antecipado
há quem morra nesses dias
mas
há quem renasça
é destes que falo
com madeira
cordas cavilhas pregos
tintas panos
os mais variados aviamentos
e ferramentas
farás um barco
se da arte forres mestre
isso sabes
isso vês
mas saberás tu o que é
um barco
que navega dentro dele?
mais que um barco
materiais e saberes
é todo um povo
a sua história
a sua vida
olha para além do visível
e só assim verás
o que um dia
em livros sobre coisas mortas
encontrarás
faz a história
não a leias
nem deixes que ela se faça sem ti
falo do homem
onde o barco é
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/sociedade/moliceiros-na-ria-tapados-de-preto