mãos de mar (3)


mãos de dar

0-ahcravo_dsc_1517-bw

não
não me arrependo
de serem de dar as mãos
que me deram

nos cotos
dos braços que me levaram
outras mãos nasceram
para continuarem a dar

haverá amargura
por dentro dos dias agora
mas brilha nos olhos
o sol de sempre

o tempo
que nunca caberá nas mãos
é oferta impossível

usaram-no mal

0-ahcravo_dsc_1517

(torreira; 2016)

os moliceiros têm vela (238)


(meditação com moliceiros em fundo)

0-ahcravo_dsc_6169-bw
filho da mãe

durante muito tempo me interroguei do porquê de a expressão “filho da mãe”, ter um sentido depreciativo.

para mim, ser filho da mãe era tão natural como estar vivo, não há outra forma de ser.

mas o povo, o que nos põe na boca as expressões que usamos, sabe das palavras mais que as letras, vai-lhes ao sentir. era isso que me faltava: sentir.

hoje entendo perfeitamente o significado da expressão e a sua conotação depreciativa, entendo porque senti e sentir é a melhor forma de compreender.

espero que nunca sintam o sentido desta frase e que a digam de forma natural, como o fazem com outra qualquer:

FILHO DA MÃE!

0-ahcravo_dsc_6169

(torreira; regata da ria; 2011)