escrevo o silêncio solitário labor sol mar início cristalizado o sal
(figueira da foz; ilha da morraceira; mexer; 2020)
eternidade breve
o assassínio do futuro condena-me a conjugar os verbos no passado se os nomeio folhas secas juncam o chão dos dias inscrevem nomes na memória povoam o silêncio estar vivo é saber da morte dos outros ser a sua eternidade breve outra não há
torreira; regata bateiras à vela; são paio; 2013
muitos terão tido a ideia, alguns terão dado conteúdo ideológico, outros contribuído com a acção, mas só um tornou possível a concretização, através de um brilhante trabalho de planeamento e logística, otelo.
se o 25 de abril teve um herói e um líder foi otelo nuno romão saraiva de carvalho

otelo! nuno! romão! saraiva de carvalho! era este o poema musicado que corria pelas ruas brotava das bocas que o sonho alimentava no sonho que a memória não deixa morrer aos que não esquecem nunca deixarão de ser otelo! nuno! romão! saraiva de carvalho!
dizer o teu nome o nome de todas as coisas as coisas que cada nome encerra dizer tantas vezes a mesma palavra até que ela perca o sentido e a sua ligação com a representação dizer como é doloroso o parto das palavras que ainda não disse ou se disse como as escrevi dizer tanto em tão pouco ser imenso e ínfimo límpido e complexo dizer com palavras amo e escutá-las na boca do outro
torreira; 11/07/2021