está frio tenho os dedos gelados entanto ardo por dentro um fogo intenso que se consome no acto de escrever estas palavras poucas que nada dizem como sempre mas que me embrulham e me aconchegam nestas noites de estar só
poesia
postais da ria (407)
a beleza do sal (127)
crónicas da xávega (490)
lembro os dias a luta a indecisão de o não saber como a aceitação a revolta as divisões a impotência as armas e os barões gordos e guardados protegidos afilhados um tempo gordo bolorento lembro os dias da decisão das armas roubadas aos barões dos canhões à praça virados da festa da liberdade tempo de cravos na mão foram-se as armas ficaram os barões e os afilhados livres as palavras e o engano livre tu para recusar e seres ainda não é pleno o nosso tempo

postais da ria (406)
gosto muito de mínimas máximas há que baste por aí sempre as houve mas é nas mínimas coisas que os olhos que sabem ver se perdem que o coração que sabe sentir se afoga que as mãos sábias se encontram são as mínimas coisas que nos ferem e nos alegram por isso cada vez mais gosto muito de mínimas
os moliceiros têm vela (473)
a beleza do sal (126)
postais do arroz (16)
crónicas da xávega (489)
sê grato às portas que te abrem e às que te fecham também ser de todos é não ser de ninguém de ti primeiro que todos quiseste ser fizeste-te dizendo não calando disseste presente ao mau tempo sê grato às portas que se fecham e às que te abrem és tu em todas sê grato à diferença como o vento despenteia as ondas










