deuses se julgam

no luxo de o ser dizem que deus escreve direito por linhas tortas humano que sou erecto e efémero a direito escrevo deixo para os que deuses se julgam as tortas linhas que jamais endireitarão
é tão fácil

venderás o peixe no mercado aos fregueses fiéis comprar-to-ão por comodidade hábito e cansaço às quintas montarás banca na feira venderás coisas várias outros caminharão à tua sombra serás o chefe não o líder nas terras piquenas é tão fácil parecer grande
“Recriação da safra à moda antiga” – foto 18
a estória destes dias
escrevo-te de dentro do silêncio apenas os pássaros da vizinha cantam silencioso escrevo-te de dentro do silêncio digo-te ouvir uma porta bater é sinal de vida dos amigos chega pelo telemóvel a voz o abraço é esta a estória destes dias