
o meu amigo agostinho trabalhito (canhoto)

o meu amigo agostinho trabalhito (canhoto)
presunção

o meu amigo vitó (falecido)
quando eu já cá não estiver
e te sentares numa rocha
à beira mar
talvez te lembres de mim
talvez
(torreira; 2013)

na foz do mondego rádio, na figueira da foz, conceição ruivo é autora do programa “pinceladas”, espaço áudio onde conversa sobre arte
nos dias 1 e 2 de dezembro de 2018, a conversa decorreu em torno do livro “quando o mar trabalha”
obrigado conceição ruivo por esta oportunidade, obrigado sansão coelho pela coordenação e obrigado foz do mondego rádio pela eficiência e qualidade da produção do registo áudio, de que aproveitei parte para a produção deste vídeo, com algumas das fotos que integram o livro
a conversa pode ser ouvista no vídeo
ti zé

eles pensam que sabem
porque atrás do nome
têm um título
são ignorantes
e não o sabem
ti zé
você não sabe que sabe
por isso é sábio
sabedoria ignorada
a da vida
(torreira; 2015)
stalone

dez réis de gente
de tão leve
partiu já
do mar dos dias
a memória
um nome
peso pesado
para tão pouco
chamavam-lhe
stalone
(torreira; o arribar do calão; 2013;
para o zé titi

adormecem gaivotas na areia
sopra forte o norte
varrendo a praia
é inverno
atento caminha pela praia
busca um brilho
um pedaço perdido de verão
já houve mais diz-me
a crise também aqui se faz sentir
de poucas falas
sempre pronto a ajudar
é de terra este homem
aqui onde todos são de mar
veste-se de silêncio
difíceis as palavras
sentado num banco à beira ria
tem o tamanho do sorriso
a limpidez mais pura no olhar
chama-se zé titi
(torreira; 2010)

(plano 15)
continuação de uma espécie de edição em banda desenhada virtual, com sequência diversa da do livro
o link para uma amostra no ISSUU
(torreira;1972)
abílio fonseca (carteirista)

o ti abílio já passou os 80 e ainda cá anda a velejar e a ser o exemplo acabado daquilo a que alguns chamam a “brejeirice da beira-ria” – e que tanto tem sido representada nos painéis dos moliceiros.
passem umas horas com o ti abílio e verão como todos os painéis brejeiros podem ser de carne e osso.
nascido e criado na gafanha baixa, na murtosa, cresceu no moliço, foi para a marinha, emigrou, regressou e continua.
é dono do moliceiro “Dos Netos”, o único que não foi construído na zona norte da ria, mas pelo mestre gadelhas, de seixo de mira.
a boa disposição toma-a ao pequeno almoço e adormece com ela.
tratamo-nos por tu e eu tenho por ele amizade e respeito.
guardo, emolduradas, as medalhas que me ofereceu nas regatas da ria e do s. paio, em 2016.
amanhã, dia 5 de agosto, se tudo correr como planeado, lá estaremos na provocação brejeira, tão nossa, tão da beira-ria.
(torreira; regata da ria; 2013)

zé rebeço
o ti zé rebeço, com quase 80 primaveras, é o exemplo vivo do murtoseiro: ama a ria, lavra a terra e soube o que foi ter emigrar para vingar na vida.
antes de emigrar foi moliceiro e mercantel desde miúdo.
é dono do moliceiro “A. Rendeiro” e vai estar na regata do bico, domingo dia 5.
orgulho-me de o ter como amigo
(torreira; regata da ria; 2013)

a ti luísa da calada faleceu hoje, dia 13 de julho
amanhã pelas 20 horas é o rezar na casa mortuária da torreira
era uma boa amiga e uma grande contadora de histórias da torreira.
com ela a torreira perde muitas das suas memórias e uma mulher que sempre conheci “virada para o mar”.
a todos os familiares o meu abraço amigo.