depois de largar e alar
safar peixe se houver
há que safar e arrumar as redes
são muitas as horas
para tão pouco ganho
falo da solheira
depois de largar e alar
safar peixe se houver
há que safar e arrumar as redes
são muitas as horas
para tão pouco ganho
falo da solheira
irei até onde com o que

ciranda de dois, amigos todos
tudo é de novo início
tardio mas início
escasso o tempo
desgastado o corpo
cirandado pelo tempo
caminho
caminho
caminho
o que resta de mim
sonhos por cumprir
irei até onde com o que
(torreira; cirandar)
da leitura

tivesse eu lido
o homem
como o homem
lia o mar
soubera eu

(torreira; 2016)
das redes

álvaro gavina
roupa que não vestem
mas que lhes traz o pão
as redes
querem-se limpas
(torreira; 2017)
a dança das redes (8)
depois de largar e alar
safar peixe se houver
há que safar e arrumar as redes
são muitas as horas
para tão pouco ganho
falo da solheira
(torreira; 2017)

há registos difíceis de fazer, há outros que nunca imaginámos conseguir fazer, este é um deles.
o joão da calada, amigo de há quase 30 anos, veste bem a alcunha da família, é difícil ouvi-lo falar para uma gravação ou deixar-se fixar numa fotografia. a forma como acedeu a ser filmado é, por si só, outro filme.
foi o arrais da primeira companha que acompanhei, é o meu consultor quando tenho dúvidas – nunca deixou de atender o telefone e dar-me o esclarecimento que pretendia.
é o meu arrais e …. desta vez deixou-me fazer o filme possível e as fotos que nunca pensei conseguir fazer. não são os ideais, mas para mim, são um abraço, o maior abraço que o meu arrais me deu.
bem hajas joão da calada.
(torreira; 13 de junho de 2017)
quem safa as redes, safa a vida?
(torreira; 2017)
depois de largar e alar
safar peixe se houver
há que safar e arrumar as redes
são muitas as horas
para tão pouco ganho
falo da solheira
caminhos de areia

de praia em praia
outros os homens
a mesma arte
diversos os fazeres
percorro caminhos de areia
olhos postos nos homens
e no mar
sempre no mar
encontro homens
barcos redes
sal suor peixe
vou por aí
mas vou sempre sempre
para o mar
(torreira; 2016)