quando o mar trabalha – o livro passo a passo (1)


plano 520180820_AhCravoGorim_plano5o livro está aí, caminha e diz-se, cresce e faz-se.

sexta-feira pelas 21h30m nos palheiros da tocha mais uma apresentação.

todos os dias há pedidos de quem o viu e sentiu, de quem ouviu falar dele, de quem ainda não mas …. quer

nunca pensei fazer algo de que gostasse tanto e de que tantos gostassem.

começo aqui, agora uma espécie de edição em banda desenhada virtual

o link para uma amostra no ISSUU

 

 

 

“quando o mar trabalha” – tempo de prestar contas


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o meu arrais, joão da calada, nos anos 90, meu mestre e grande amigo

é tempo de falar da companha que me ajudou a trazer à praia este trabalho, dizendo os seus nomes.

na escolha dos textos: maria josé barbosa e antero urbano

no trabalhar e seleccionar das imagens: jorge bacelar

na definição do formato do livro e acompanhamento da sua elaboração: helena mouro

na edição e em tudo: jorge pinto guedes (o meu editor e um grande amigo)

no lançamento na torreira, o pessoal de terra:

manuel arcêncio, director do agrupamento de escolas da murtosa, que entendeu desde sempre o meu trabalho e nesta fase final cedeu o espaço e toda a logística.

maria josé ferreira e arlindo silva, que trataram da parte mais delicada do lançamento: entregar os livros, receber os euros e prestar contas.

a todos eles o meu obrigado e um abraço comigo dentro.

bem hajam.

o filme ficou assim

 

mãos de mar (55)


quando o mar trabalha

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depois de seco o saco é de novo fechado para o aparelho da xávega poder fazer novo lanço. ao acto de fechar o saco chama-se “dar o porfio”, é o que está a fazer o meu amigo agostinho canhoto

é de rede
deitada ao mar do tempo
este livro

em terra
ficará a contar estórias
a falar de muitas vidas
e saberes

fora dele muito mais
que para tudo
saco não havia
e peixe houve que saltou

deu-se o porfio
fechou-se o saco

é na praia que encontras
os búzios que procuraste
em casa

(torreira; 2011)

 

 

crónicas da xávega (260)


cacilda

quantos instantes tem o ano
cacilda
quantos anos um momento

perdi a noção do tempo
cacilda
voou como as gaivotas
em torno de ti e são muitas

o tempo tem muitos tempos
cacilda
é enorme o tempo dos amigos
o teu tempo

há quanto tempo te conheço
não sei

no esvoaçar dos dias salgados
perdi a noção do tempo
é infinito todo o instante
se ao pé do mar dos amigos

cacilda
neste instante cabem muitos anos

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cacilda brandão (gamelas), mulher de mar e da maior família da torreira, os gamelas

(torreira; 2011)

 

crónicas da xávega (256)


a mais ninguém

cinzentos
os dias sucedem-se
monótonos diversos
suceder-se-ão

o tempo
esse assassino impune
a cada dia me leva amigos
levar-me-á

o que o tempo
me não roubou ainda
homens levaram

perdoo ao tempo
é da sua natureza
a mais ninguém

a mais ninguém

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(torreira; a escolha; 2009)

 

crónicas da xávega (254)


da casa e do mar

moro ao pé do mar
e não o vejo
das minhas janelas

ouço-o nas noites
de temporal
entra na casa como
se sua e eu

as vistas da casa
são outras casas
com outros eus

chamam a isto
cidade
porque muitos

saio de casa
em direcção ao mar
e é sozinho
que me reencontro

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(praia de mira; 2009)