os moliceiros têm vela (237)


falo do moliceiro

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um barco
não tem raízes
é raiz

navega memórias
redesenha silêncios
inventa futuros

o homem criou o barco
e nele se enraizou
para fazer a viagem

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(torreira; regata do s. paio; 2016)

fotografar moliceiros de dentro de um moliceiro é viver mais a fotografia

fedro ou a fala das palavras


e eu fui lá …..

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foto da net

conhecer o autor antes da obra
caminhar pela obra com as palavras do autor
as palavras a dizerem-se e a dizerem-nos

dizer que o livro se poderia intitular
“fedro ou a fala das palavras”
é dizer pouco mas é sentir muito

a não perder esta primeira obra

parabéns Ricardo Fonseca Mota

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foto da página de ricardo fonseca mota no facebook

os moliceiros têm vela (236)


o fotógrafo e o moliceiro

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há momentos que dificilmente se repetirão, este é um deles.

éramos 3 dentro do moliceiro, dentro da regata, no meio da ria – eu, o carlos lopes franco e o ti abílio.

o ti abílio tripulava o barco, eu e o carlos, tentávamos captar as imagens possíveis.

foi de loucos. a acção ultrapassava tudo, até um hipotético enjoo do carlos (olha que eu enjoo – tinha-me dito).

não houve tempo para mais nada senão viver o instante.

junto do traste, depois de ter feito o filme possível, que ainda espera edição, fotografava como sabia e o que podia.

neste registo o carlos fotografa o ti abílio – esquecido de tudo o resto -, o ti abílio governa o moliceiro – não pensa em mais nada – e eu fixo o momento.

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(torreira; regata do s. paio; 2016)

2 de agosto de 2016


bem hajas antónio brandão

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nuno cunha e o mestre zé rito fixam a bica do moliceiro

há datas que não são para esquecer, esta é uma delas.

o nuno cunha (setenove) e o mestre zé rito, fixavam a bica da proa do moliceiro. a construção progredia.

eram muitos, como hábito, os que assistiam àquilo a que chamei “celebração da ria”, entre eles alguns dos irmãos “brandão”.

o antónio brandão veio, de repente, ter comigo e disse-me:

– sr. cravo, tenho lá em casa uma caixa que a drª andreia me deu, com desenhos de moliceiros, e que lhe deve interessar.

pegou na bicicleta e, pouco tempo depois, trazia na mão uma caixa branca, de arquivo, que me deu para as mãos.

abri e vi que era a tese de licenciatura, de 1999, da minha amiga andreia leite, falecida aos falecida em 2008, aos 31 anos, de leucemia, e que muito me ajudou nas pesquisas sobre o naufrágio do nathalie. o documento tinha dado origem à tese de mestrado que viria a defender na universidade portucalense.

fiquei sem palavras e só fui capaz de dizer ao antónio:

– guarda-o é uma oferta que deve permanecer na família.

– sr. cravo, dou-lho como se o desse ao meu pai.

os olhos falaram pelos dois, não fui capaz de dizer que não e limitei-me às palavras mais simples:

– nunca me hei-de esquecer deste dia, antónio.

– e eu nunca me hei-de esquecer de si, sr. cravo.

escrevo o que se passou e volto a sentir tudo……..

a memória aqui fica e o testemunho de uma amizade que junta várias.

a construção do moliceiro proporcionou-me um dos momentos mais sentidos em toda a minha passagem pela torreira.

bem hajas antónio brandão

(torreira; 2 de agosto de 2016)