mãos de mar (23)


de tanto dares

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de tanto dares
a mão
ficaste sem ela

deste porque sim
receberam porque também

não esperes mão
da mão a quem mão deste
o que foi dado
esgotou-se no acto primeiro

mão a mão
enchem muitos o papo
isso te digo

coisas de galinhas
ou galos de capoeira

(costa de lavos; companha do armando; 2017)

rui miguel fragas _ “A ÚLTIMA RODADA”


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Rui Miguel Fragas, pseudónimo de António Rui Féteira, nasceu em 1964, em S. Miguel de Poiares (Coimbra). Licenciou-se em filosofia na Universidade de Coimbra. publicou alguns poemas e contos nas revistas Alma Azul e Aeroplano. tem três livros de poesia publicados: ” O Nome das Árvores” (Poética Edições, 2014), “Não sei se o Vento” (Poética Edições, 2015) e “O Rumor das Máquinas” (UA Editora, Universidade de Aveiro, IV Prémio Literário Aldónio Gomes, 2015). Participou na antologia “As Vozes do Isaque”«, Derivações Poéticas a partir da obra “O Último Poeta” (Poética Edições, 2016). Em 2017 venceu a VII edição do concurso Poesia na Bibilioteca, Condeixa-a-Nova, com o poema “O cão de Pavese”.

*

O mundo está reduzido a cinzas, soluçou uma das mulheres, ao sue lado. Ardeu o mundo inteiro no meio do borralho arde agora a memória de tudo quanto ardeu. Nada disso, ripostou o coveiro. DE acordo com o que vem escrito na bíblia, ardeu, quanto muito, uma terça parte da terra e uma terça parte das árvores e uma terça parte dos homens. Quanto a nós, que é o que interessa, estamos vivos. E para quê, suspirou a mulher num fio quebrado de voz.

(da badana do livro)

da apresentação do livro de contos “A ÚLTIMA RODADA“, feita na biblioteca municipal da figueira da foz e promovida pelo clube de leitores, aqui fica o registo possível.

 

(obrigado amigo Santos Silva pelo registo)

joão da calada, o meu arrais


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há registos difíceis de fazer, há outros que nunca imaginámos conseguir fazer, este é um deles.

o joão da calada, amigo de há quase 30 anos, veste bem a alcunha da família, é difícil ouvi-lo falar para uma gravação ou deixar-se fixar numa fotografia. a forma como acedeu a ser filmado é, por si só, outro filme.

foi o arrais da primeira companha que acompanhei, é o meu consultor quando tenho dúvidas – nunca deixou de atender o telefone e dar-me o esclarecimento que pretendia.

é o meu arrais e …. desta vez deixou-me fazer o filme possível e as fotos que nunca pensei conseguir fazer. não são os ideais, mas para mim, são um abraço, o maior abraço que o meu arrais me deu.

bem hajas joão da calada.

 

(torreira; 13 de junho de 2017)