postais do arroz (3)


do incerto
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semear com saco e apoio de barca

não esperes colher
o que semeaste
colherás mais
colherás menos também
ou nada até se
semearás sem pensar
na colheita
dando o teu melhor
de ti dependes apenas
tu e o seres
sê pois o melhor
semeador
que a colheita seja
o que tiver de ser
é de sua natureza
ouviste falar do incerto
agora conhece-lo
(vinha da rainha; maio; 2019)

“Algarve” de artur pastor – a estória do meu exemplar


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em 1965 artur pastor publicou o livro “Algarve”, em edição bilingue, fotografia e monografia do autor.

o ano passado, depois de muito procurar e não encontrar, falei com o filho, artur costa pastor, meu amigo no face, que me disse ser possível encontrar algum exemplar no brasil, para onde tinham ido os exemplares não vendidos em portugal.

com esta informação, não tendo dinheiro suficiente para a viagem, nem passaporte, entro no site dos “sebos” brasileiros e descubro um exemplar em s. paulo. mas…. se o preço estava dentro das minhas possibilidades, os portes – o livro pesa cerca de 3 kg – eram outro tanto.

começa então a funcionar a rede de amigos das redes sociais – as malditas. lembrei-me de dois amigos : mauro mattos filho e eduardo mello. depois de falar com ambos cheguei à conclusão que o eduardo era o ideal. logo se prontificou a receber o livro e até se dava o caso de ter uma irmã que vinha periodicamente a portugal. em 2019 viria,

assim o livro que tinha ido de portugal para o brasil, foi de s. paulo para o rio de janeiro, para voltar a portugal.

entretanto bolsonaro é eleito, e uma amiga de eduardo mello resolve vir para portugal e trouxe o livro para o porto – mais uma amiga

sábado proporcionou-se uma ida ao porto e … recebi o livro das mãos do marido – outro amigo – talvez cerca de seis meses depois de ter chegado.

obrigado eduardo mello, obrigado amigos.

com ele debaixo do braço fui ter com o antero urbano à livraria alfarrabista “paraíso do livro” e pedi ao prof. eduardo – um dos proprietários – que abrisse o embrulho. perguntou-me porquê e eu respondi que logo veria.

o prof. eduardo é de famila algarvia, de olhão.

e o “Algarve” quando foi desembrulhado, de regresso a portugal, foi visto pela primeira vez por um algarvio. estava completo o ciclo.

agora está ao meu lado à espera de ser lido e relido, visto e revisto.

há estórias que apetece contar, mesmo se de repente, mesmo se mal amanhadas….

postais do arroz (2)


grão de arroz
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a barca vai carregar com  sacos de arroz germinado, apoio ao semeado que a terra é grande

 
sou daqui
onde agora
 
as falas do mar
as falas da terra
são
as falas da gente
são eu nós aqui
 
sou daqui
onde agora
 
com palavras nos olhos
converso semeio colho
 
em terras alagadas sou
pela primeira vez
um grão de arroz
 
(vinha da rainha; barca; semear arroz; 2019)
postais do arroz (1)

postais do arroz (1)


a memória do arroz
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pelo alinhamento das estacas o arroz vai sendo lançado

as marés é que mandam
e venho do mar
o arroz é que manda
e a faina outra
a do semear artesanal
da barca da bóia do saco
do voo do arroz
pela mão lançado à água
à terra alagada
ao berço
borda do campo
porto godinho
amieira
vinha da rainha
um pouco por aqui andei
colhi onde semeavam
semeio agora
a memória do arroz
a minha
(borda do campo; 2019)

a corrida das barcas na borda do campo, 2019


no dia 5 de maio realizou-se a tradicional corrida das barcas no rio pranto, na borda do campo.
no blog bordadocampo.com está digitalizada uma notícia d “o figueirense”, de 12 de maio de 2006 que transcrevo, dada a valia da informação sobre o evento e a quase intemporalidade do escrito.

 

da corrida realizada no passado dia 5 de maio, fica o registo da festa

 

 

 

crónicas da xávega (306)

crónicas da xávega (306)


 

abraço

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o meu amigo agostinho trabalhito (canhoto) no alador

 
quantos amigos
na memória de um só
nunca o saberei
 
no encadear
dos nomes e dos rostos
todos são um
 
amigos dão a mão
a amigos trazem-se
 
como num jogo de roda
meninos todos
rimos e cantamos os dias
juntos de novo
 
no abraço
 
(torreira; a manga no alador; 2013)

a beleza do sal (59)


boa safra

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o sr. joaquim a “achegar” na salina do romão

as alterações climáticas já se fizeram sentir na extracção do sal, o ano passado, no salgado da figueira da foz.

as chuvas tardias, atrasaram a preparação dos talhos e mais tarde a própria extracção.
salinas houve que nem produziram.
o tempo este ano também não anda famoso, chuva tardia/sol/chuva. a semana passada estive nos armazéns de lavos e já havia quem começasse a encher os talhos, no dia a seguir choveu.
tivemos um fim de semana de muito calor e …. vai chover de novo.
esperemos que este ano os produtores tenham melhor sorte e o salgado cresça e se mantenha.
aqui fica um registo de 2017, em que o marnoto está a “achegar” o sal, assim o tempo se “achegue” também.
boa safra