ahcravo_gorim
memória_06042011
à memória do arrais zé murta _ a escolha

torreira; 2006
os moliceiros têm vela (395)
cansado

murtosa; cais do bico; ti zé formigo; 2019
fala-me do homem
diz-me que o entendeste
cansa-me esta busca
diz-me do homem
tudo o que aprendeste
cansa-me este estar
se cada homem é
um barco
ensina-me a navegar
é tarde e estou cansado
cansado cansado
cansado
memória_05042011
do mar o peixe veio, com água se lava e é salgada

torreira; 2006
agostinho trabalhito e manel caldinho

torreira; 2006
crónicas da xávega (340)
sou de novo

(torreira; agostinho canhoto; 2013)
esfumam-se na memória
os dias
insaciável a máquina
do tempo
da minha janela
vejo e vejo-me
sou de novo
retratos da minha terra

tenho amigos assim
tão virtuais que reais são
colhem as minhas fotos
fazem filmes
e enviam-mos
estou vivo
e com amigos assim
estou no mundo
a minha terra
são muitas terras
obrigado a ti
que não queres ser citado
mas que na sombra
deste outra luz
à luz que roubei por aí
postais da ria (350)
amar na ria

torreira; safar redes; 209)
ser
para ti
o outro
para que
sejamos
os dois
um só
memória_03042011a
das janelas

covas do monte.serra da gralheira; s.pedro do sul; 2008
serem sempre
por sobre a rua
os olhos

covas do monte.serra da gralheira; s.pedro do sul; 2008
memória_03042011
um dia

praia de buarcos; 2008
um dia
o meu poema vai levantar voo
das folhas brancas
um dia
o meu poema ave vai encontrar-te
na planície da ausência presente
e pousar suavemente
nos teus olhos sequiosos de luz
um dia
o meu poema barco
partirá para os mares de bocas
lábios gretados em busca de palavras
um dia
o meu poema
deixará de ser
meu

praia de buarcos; 2008
dois poemas do livro “O FARDO DO HOMEM BRANCO”, de madalena de castro campos