os moliceiros têm vela (350)

os moliceiros têm vela (350)


moliceiro
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à esquerda o ti zé rebeço, no o bota-abaixo do “Presidente”

 
de materiais vários
se faz o barco
mestres os mestres
na escolha
 
sucedem-se gerações
legam-se moldes
paus de pontos saberes
 
porém
é no erguer da vela
que o moliceiro
levanta a voz e fala
 
eis-me de regresso
inteiro e belo
 
assim o quero ver
enquanto
 
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à esquerda o ti zé rebeço, no o bota-abaixo do “Presidente”

 
(murtosa; praia do bico; 31/03/2019)
 

mestre zé rito_torreira


0 ahcravo_DSC_4343 moliceiro ze rito
nasceu em 1956, filho de pescadores e caçadores que se tornaram moliceiros, zé rito “nasceu no moliço”, fez-se construtor naval e é pescador.
 
de família originária da murtosa é na torreira que vive e se torna o primeiro construtor naval da terra.
 
homem da ria e dos moliceiros sempre participou nas regatas de moliceiros, bateiras e chinchorros. tirando alguns azares ficou sempre nas primeiras posições em todas as regatas, muitas delas no primeiro lugar.
 
o mais a conversa gravada o diz.

à conversa com mestre antónio esteves (pardaleiro)


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o mestre a trabalhar com serra tradiconal

em julho de 2018, no estaleiro junto à ribeira das bulhas , em pardilhó, conversei com o mestre antónio esteves (pardaleiro), primo do mestre murtoseiro, falecido em janeiro de 2019, joaquim raimundo.
aos 78 anos continua a construir e reparar os barcos que lhe encomendam. as perguntas foram à medida do meu saber e poderão ter ficado aquém do que o mestre merecia. mas, como diz o povo, quem dá o que tem ….
foi aprendiz do mestre henrique lavoura de quem “herdou” o pau de pontos, que já vinha do mestre joaquim rato – da bestida para pardilhó a caminhada da tradição.
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à data da conversa nenhum de nós imaginava que mais um moliceiro lhe iria sair das mãos, mas há sempre – até quando ? – surpresas na ria. no momento em que esta conversa é publicada está em fase de conclusão mais um moliceiro.
lá estarei no bota-abaixo
o mestre antónio esteves (pardaleiro) é o mais antigo mestre construtor naval em actividade e foi, será sempre, um prazer ouvi-lo
da conversa fica o vídeo possível

os moliceiros têm vela (330)


hoje

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o “Doroteia Verónica” ainda era um moliceiro inteiro

entra em mim o outono
por debaixo da porta
deste estar aqui ainda

o vento levou as memórias
onde habito

fui-me e fiquei
para ser
o que esqueci

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o “Doroteia Verónica” ainda era um moliceiro inteiro

(torreira; regata da ria; 2011)

 

os moliceiros têm vela (322)


abílio fonseca (carteirista)

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o ti abílio já passou os 80 e ainda cá anda a velejar e a ser o exemplo acabado daquilo a que alguns chamam a “brejeirice da beira-ria” – e que tanto tem sido representada nos painéis dos moliceiros.

passem umas horas com o ti abílio e verão como todos os painéis brejeiros podem ser de carne e osso.

nascido e criado na gafanha baixa, na murtosa, cresceu no moliço, foi para a marinha, emigrou, regressou e continua.

é dono do moliceiro “Dos Netos”, o único que não foi construído na zona norte da ria, mas pelo mestre gadelhas, de seixo de mira.

a boa disposição toma-a ao pequeno almoço e adormece com ela.

tratamo-nos por tu e eu tenho por ele amizade e respeito.

guardo, emolduradas, as medalhas que me ofereceu nas regatas da ria e do s. paio, em 2016.

amanhã, dia 5 de agosto, se tudo correr como planeado, lá estaremos na provocação brejeira, tão nossa, tão da beira-ria.

(torreira; regata da ria; 2013)