os moliceiros têm vela (294)


o homem da beira-ria

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tão pouco uma palavra
e tanto nela se não dita
se negada depois de dada

aqui os homens
têm o tamanho da sua palavra

negá-la é negarem-se
o homem da beira-ria
é homem de palavra

ou ave de arribação

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(torreira; regata da ria; 2010)

postais da ria (237)


dos amigos  e não só

cuida dos amigos de hoje
deixa que seja o amanhã
a deles fazer juízo certo

para alguns
amanhã foi ontem
são eles

que fazem os dias
mais tristes

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a safar redes – mulher da torreira, onde a a vida não dá para camaradas

(torreira; porto de abrigo; 2013)

 

os moliceiros têm vela (293)


ao tempo

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o moliceiro “A. Rendeiro” do ti zé rebeço

quando for com o vento
ficarão palavras e imagens
sonhos ilusões muitas

ilusões muitas

eu quase todo sem ser já
sussurros de água
na boca de um barco morto

os gestos o ter feito
o que me fizeram
deixo ao tempo o juízo

ao tempo
que outro deus
não conheço

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o moliceiro “A. Rendeiro” do ti zé rebeço

(torreira; regata da ria; 2014)

mãos de mar (41)


dos capatazes

falam como se
donos fossem do que
lhes não pertence
porque nosso

não têm senão
a ilusão de um poder
efémero delegado

calçam sapatos luva
que nas mãos
melhor lhes ficariam

existem porque são
mandados para mandar

nada me custa
por esse mesmo motivo
mandá-los

sabem bem onde

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mãos de mar, de trabalho, estas