2018 na ti rosa


2018 na ti rosa

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ti rosa de avanca

há quem encha
os olhos de mar
e por isso exista

há quem traga
o mar nos olhos
e isso lhe baste
é a ti rosa

sento-me num banco
encontro amigos
trocam-se cervejas
uma garrafa de água
não me esqueço de ti massa
voam conversas jornais
cartas e dominó

na ti rosa
há mar em terra
e uma figueira

na ti rosa em 2018
tá combinado

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ti rosa de avanca

(torreira; à porta da ti rosa de avanca)

os moliceiros têm vela (290)


essencial o homem

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o moliceiro “Dos Netos”

por sobre o espelho
da ria o moliceiro
desliza à força da vara

em dias sem vento
ou de passagem de modelos
de nada serve a vela
fica o mastro a falar dela

essencial o homem
é a força de ser ainda o barco
a bandeira erguida

de uma terra que se busca
num tempo onde ainda não se sabe
se perdida por falta de raízes

numa suposta ria encanada
na cidade
há uns barcos que se fazem
passar por

essencial o homem
desmente-os

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o moliceiro “Dos Netos”

(torreira; regata do s. paio; 2010)

postais da ria (233)


‘miga

hoje no mercado de buarcos
fui abraçado por uma palavra

‘miga

conheci-a em setúbal
no bairro das fontaínhas
onde murtoseiros pescadores

quando a ouço regresso
aos tempos de eu menino
às vozes que pela ladeira

‘miga

diziam antes de começar
qualquer conversa

tempo em que todos
eram amigos e camaradas
por isso entre pescadores

‘miga

mais que a ouvir senti-a
há palavras assim
que nos chegam como se

um abraço

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a bela e o jim cirandam berbigão

(torreira; cirandar)

mãos de mar (37)


olha as mãos

no princípio eram as mãos
ferramentas únicas
alfabeto de gestos e sinais

do dizer ao fazer
tudo por elas era

vê como falam as mãos
como quebram o silêncio
atenta nelas e ouve

encontrarás nas mãos as respostas
para as perguntas que não fizeste
nelas tudo é claro e transparente

olha as mãos
como se um outro corpo
e não o são

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(torreira; 2016)

 

crónicas da xávega (220)


então farão postais

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vêm de longe as vozes
conheci algumas
respeitei muitas
conheci-os um pouco

homens mulheres
gente desta terra
de onde sempre
para o mar se partiu
e onde nem sempre
se regressou

ficou o mar
na areia varados
o barco e a arte
a companha renovada

até um dia
em que na praia vazia
deles só a areia
se lembrará

então farão postais

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(torreira; 2016)