crónicas da xávega (136)


pelo pão de cada dia

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o mestre de redes e o saco

no chão estendido
um véu rendado
é manto que cobre

homem e mar unidos
na malha dos dias
onde sol sal areia e suor

se fundem num só corpo
por debaixo das nuvens
nos caminhos percorridos

pelo pão de cada dia

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como se um véu de noiva o saco nas mãos do cebola

(torreira; companha do marco; 2010)

as maõs e os olhos do mestre das redes, o cebola,  percorrem o saco em busca de rombos

os moliceiro têm vela (188)


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quando não há vento in”venta”-se

sabíamos que os moliceiros podiam andar:

– à vela
– vara
– à sirga

mas “a vertedouro” só um mestre construtor e velejador, como o mestre felisberto caçoilo, podia inventar

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ser moliceiro é isto: rein”ventar”

(murtosa; regata do bico; 2010)

crónicas da xávega (135)


quisera-me lá

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o arribar do calão do reçoeiro

haver ainda mar
por onde olhos
se perdem

se esvai
a raiva imensa
de saber que homens
lobos de homens

sou areia onde espuma
chega-me o sal aos olhos
navego para longe

quisera-me lá

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o delmar à direita e o ti augusto de boné ao fundo à esquerda

(torreira; companha do marco; 2013)