crónicas da xávega (249)


vejo sinto sou

talvez não fosse uma maçã
pode até nem ter havido paraíso
nem adão nem eva nem deus
cada um acredita no que quer

mas há a moeda
o fmi o bce o dólar o euro
o bitcoin pasme-se

há o homem e o fascínio
das moedas todas
lhe poderem dar tudo

talvez não exista céu nem anjos
nem inferno nem diabo
mas existe a ganância a cegueira
a lágrima a mágoa a alegria
a revolta a aceitação a ignorância
a fome o desperdício o luxo

existe ainda a propriedade
e os homens impróprios
isto não é crença é facto

e sei que existo eu
a questionar tudo isto
porque vejo sinto sou

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carregar o saco na zorra

(torreira; 2012)

a beleza do sal (46)


eu abri as portas da gaiola

(….eles passarão
eu passarinho
“mário quintana”)

não sei de bancadas
nem de lugar à sombra

gosto de sol e mar
e da força da vagas

ficou vazia a cadeira
que me guardaram

recuso o caminho palavroso
onde não nasceram gestos

cantam de poleiro
aves de arribação

eu abri as portas da gaiola
para voar
é tarde para me cortarem
as asas

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o meu amigo paulo formiga

(armazéns de lavos; mexer; 2016)

 

coimbra, 25 de abril de 2018


o meu amigo jaime

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o que a vida separa
há datas que unem

hoje estivemos em festa
jaime

a festa de abril
a festa da liberdade
a festa do encontro

hoje estivemos em festa
jaime

vimos crianças muitas
jovens tantos
nós menos que no ano
passado
a lei da vida disseste

mas hoje
hoje estivemos em festa
jaime

(prof. jaime do couto ferreira; coimbra; 25 abril 2018)

 

25 de abril em coimbra


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quando el-rei apareceu
temerosa d. isabel
recolheu o manto

que levais aí senhora
perguntou el-rei
são cravos meu senhor

mostrai-me quero vê-los
sabeis como sou curioso

aberto o manto
cobriu-se o chão
de cravos vermelhos

mas senhora
hoje não é 25 de abril

será amanhã
meu senhor
será amanhã

é amanhã

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(coimbra; 25/04/2017)