postais da ria (178)


boas fotos

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chegaste agora
não sabes os nomes
não conheces as histórias
trazes contigo uma máquina de fotografar
olhas e encontras o motivo

disparas repetidas vezes
gostas do que viste e registaste
ignoras tudo o que para além do registo
desfrutas do olhar e sorris
quando lês o exif

e se
a perspectiva real for inversa da registada ?
e se
aquele homem ao fundo tiver nome ?
e se
o que ele traz no braço for parco para tantas horas
de esforço quase insuportável ?

e se
em vez de olhares e fazeres (digo eu)
um registo interessante de perspectiva
procurasses respostas para o que registas ?

então
não estarias aqui de férias em busca de imagens
serias mais um na comunidade e isso
meu amigo aqui pode ser perigoso

boas fotos

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(torreira; junho; 2016)

crónicas da xávega (173)


estive aqui de férias

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no verão de 2013, o cipriano carrega o saco na zorra

olhar sem sentir
olhar apenas sem pensar
estou aqui de férias

ilusão tudo o mais
para além de mim

quem cá está
cá ficará
eu partirei
sem saber se

o meu amanhã
é em toda a parte
o meu ontem
passou por aqui
o que fui é o ser
assim onde estiver

há mais mar que homens
há mais sonho que rebanhos

não preciso de pastor
basta-me o barco
que trago dentro de mim

vou comigo
para que sejam
e continuem

estive aqui de férias

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cipriano brandão, em 2013 (o vício do mar)

(torreira; companha do marco; 2013)

postais da ria (176)


também não sei

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quando tiver vela será livre

(que coisa é o homem?
carlos drummond de andrade)

que coisa é o homem?
não sei carlos
sei que existe
e tu até disso
duvidavas

conhecer o homem?
tarefa vã me parece
por mais que viva
por mais que tente
entender o homem
uma surpresa
nem sempre boa
a destruir a bondade
que o homem devia ser

que coisa é o homem?
boa pergunta carlos

também não sei

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encalhada e bela, nada mais digo dela

joão damasceno na casa da escrita (excertos)


coimbra, 28 de junho de 2016.


há exactamente 6 anos, o poeta joão damasceno partiu e deixou-nos as suas palavras, ou seja, ficou mesmo tendo partido.

deixou-nos um livro por editar ” CARTA DE PROBABILIDADES DE EROSÃO CELESTE”. o lançamento desse livro – composto e impresso pelo irmão rui damasceno, na tipografia da família – realizou-se hoje na casa da escrita, em coimbra.

este vídeo pretende apenas mostrar alguns excertos da homenagem.

a seu tempo publicarei a versão integral.

hoje houve uma geração que se chamou “joão damasceno” .

(a sessão foi aberta pelo curador da casa da escrita,  antónio vilhena, e a apresentação do poeta feita por joão rasteiro. paulo archer falou sobre a obra e a vida do amigo joão. a poesia foi dita pelo irmão rui damasceno acompanhado pelo sobrinho pedro damasceno)

regata da ria 2016 (1)


o homem e o Homem

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nunca saberás a força
que os move
o amor nesta mãos
floresce vela

a ciência que ambiciona
tudo querer explicar
queda-se muda
perante estes homens

do amor que os cega
se valem os que nada mais vêem
que dinheiro fácil

de muito poucos
se refazem muitos e remoçam

a regata da ria 2016
começou
quisera eu algo mais

o homem é o maior
inimigo do Homem

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(torreira; 27 junho de 2016)

os moliceiros têm vela (222)


até amanhã ao sol

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estou cansado
de tantas lutas
tantos anos

dou-me porque sim

porque sou
esta cabeça lucidamente
tonta de tanto sonho

continuo a não ser daqui
sem saber de onde sou

mas continuo
não precisam de contar
comigo eu conto

pararei quando
chegar o dia de parar
de vez de vez

até amanhã ao sol

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(torreira; regata do s. paio; 2015)