regata da ria 2016 (4)


pintura geral

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ao mestre construtor, que fez a reparação de manutenção do moliceiro, poderá também competir, dependendo do contratado, a pintura geral da embarcação.

neste registo o mestre zé rito, com o moliceiro virado, dá início à pintura exterior.

com esta foto termina a descrição sumária do “antes da regata”, amanhã é dia dela.

um dia que ficará tristemente para a história, com a associação do kite surf à regata da ria.

para além de lamentável em si mesmo, porque se intromete num evento de cariz tradicional, é mais grave ainda porque apadrinhado pela entidade organizadora da regata – o rancho folclórico camponeses da beira ria -, pelo município da murtosa – quer institucionalmente, quer através do presidente do rancho folclórico que é vereador da câmara – e, espante-se, porque aos moliceiros participantes da regata nada foi dito a este respeito.

mas nesta terra, como dizia um amigo meu, já nem me espanta ver um porco a andar de bicicleta.

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(torreira; 30 de junho, 2016)

regata da ria 2016 (3)


reparação e manutenção dos moliceiros

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o mestre zé rito

depois de quase um ano a céu aberto, em seco e na água, a estrutura dos moliceiros sofre sempre deterioração.

por isso, para poderem participar na regata, é necessário proceder à revisão do estado geral da estrutura e proceder às operações de reparação necessárias.

na publicação anterior falei das pinturas, nesta é a vez de falar da arte de carpintaria naval.

a maior parte dos moliceiros que correm nas regatas e não pertencem a nenhum mestre construtor, vem à revisão e reparação, no estaleiro do mestre zé rito, na torreira.

neste registo vê-se o mestre a reparar o bordo de um moliceiro, mas a actividade nas semanas que precedem a regata da ria, a primeira de cada ano, é grande.

aproveito para relembrar, que se o dono de um moliceiro resolver pintar de novo o barco, muitas vezes precisa, e fazer as reparações necessárias para fazer as regatas em segurança, não lhe bastam os prémios de presença e competição -se ganhar algum – para cobrir todas as despesas.

não digo mais nada, porque o resto já imaginam, depois de tudo o que tenho vindo escrever a este respeito.

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(torreira; 29 de junho de 2016)

regata da ria 2016 (1)


o homem e o Homem

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nunca saberás a força
que os move
o amor nesta mãos
floresce vela

a ciência que ambiciona
tudo querer explicar
queda-se muda
perante estes homens

do amor que os cega
se valem os que nada mais vêem
que dinheiro fácil

de muito poucos
se refazem muitos e remoçam

a regata da ria 2016
começou
quisera eu algo mais

o homem é o maior
inimigo do Homem

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(torreira; 27 junho de 2016)

os moliceiros têm vela (223)


a fotografia, a tradição, a memória e os interesses

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a limpidez da memória no registo do momento

não há nada pior que um povo sem história, não é povo sequer. e o que é a história senão o somatório das memórias preservadas?

a fotografia é, desde que surgiu, mais um instrumento de construção da história, porque produtora de memória, com a relevância de ser um registo visual e de impacto.

desdenhar da fotografia é desdenhar da história e da memória. é desdenhar do povo e da sua cultura.

sujar o campo visual da reconstrução da memória é sujar a memória do registo intemporal, quem dera, do momento.

entendam agora porque sou contra o acompanhamento da “regata da ria” por praticantes de kite surf: sujam a memória, impedem o registo limpo de um tempo recuperado.

virá o tempo em que perguntarão porque se estragaram momentos tão belos. mas será tarde para impedir a ganância de alguns, a ignorância de outros, a falta de cultura de muitos e a indiferença da maioria.

poderíamos cantar aqui, assim: assim se desfaz portugal!

0 ahcravo_DSC_1442_regata bico 2012, a partida

é tão frágil esta beleza perante a ignorância

(murtosa; regata do bico; 2012)

postais da ria (173)


as mulheres da torreira

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a lurdes (orelhas) varre a bateira e a seguir o orelhas (henrique) bota o breu

elas vendem peixe
são mães
criam filhos e netos

elas vão ao rio
cozinham
lavam a roupa

elas safam redes
tratam da casa
fazem as contas

elas são
as mulheres da torreira

eles são
os homens delas

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o casal orelhas e o trabalho de equipa

(torreira; junho, 2016)

os moliceiros têm vela (220)


hoje estou longe

KONICA MINOLTA DIGITAL CAMERA

o ti virgílio no sara e cristina

na terra ficaram poucos
que de pobre
futuro lhes negava

pouco levaram que
nada tinham
a não ser a memória

partiram muitos
mais que os que ficaram
à espera de vez
ou do regresso dos que
tinham partido

onde quer que estejam
estão sempre aqui
nestas palavras e imagens
onde também eu

abraço-os a todos
porque como sempre

hoje estou longe

KONICA MINOLTA DIGITAL CAMERA

um senhor no seu moliceirinho, o ti virgílio

(murtosa; regata do bico; 2008)

postais da ria (172)


os meu amigos da ria

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o meu amigo joão magina

os chocos não conhecem
esta bateira

dizia o joão hoje à tarde

a ria anda assim
o berbigão e ameijoa
onde estão?

o choco não entra
ao norte do porto de abrigo
quantas redes?

até quando a ria?

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a safar as redes da solheira

(torreira; 15 junho, 2016)

postais da ria (171)


hoje sou âncora

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o joão gordo a cirandar

já não procuro as raízes
onde a árvore
encontrou a terra e se fez

bem fundo
na água salobra da ria
no mar da torreira

no nome herdado
não o do cartão
mas a alcunha

mais que cravo
sou gorim

quem se lembra
da ti apolónia
do gorim?

serei o último
nesta terra que os viu nascer
e pouco ou nada
deles sabe

em newark
os cravos gorins são
memória emigrada
os últimos também

hoje sou âncora
varada na areia de uma praia
condenada ao abandono

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uma caixa de fruta, o fundo alterado e …. temos uma ciranda e a criatividade do pescador

(torreira; junho, 2016)