os moliceiros têm vela (246)


em louvor do moliceiro

0-ahcravo_dsc_0708-bw

o mestre zé rito e o avelino

fazem os homens
o barco que os faz
e no fazerem-se
são mais que eles

queria dizer-te
que o teu tamanho
como escreveu pessoa
é o tamanho do teu sonho

e tu
oh homem pequeno
de trazer por casa
se não fores barco
não serás sonho
nem terás tamanho

tenham piedade de ti
que eu não

0-ahcravo_dsc_0708

ilusão o serem os homens menores que o barco, porque iguais

(torreira; agosto de 2016)

postais da ria (198)


notas de um retirante

o associativismo dos pescadores no concelho da murtosa

0-ahcravo_-dsc_7263

o fernando bastos a cirandar, na bateira a esposa, vivelinda bastos

no livro “Breve História do Concelho da Murtosa” da autoria de Marco Pereira, houve o cuidado de fazer o levantamento do movimento associativo do concelho, listando por tipologia as diferentes associações existentes ou que tiveram existência. no que respeita a associações de natureza económica, não encontramos nenhuma referente ao sector das pescas.

de acordo com documentação que enviei ao autor foi, no entanto, fundada em 1921 a “A Associação de Classe dos Marítimos da Murtosa”, de que, entre outros, foi sócio fundador o meu bisavô Domingos José Cravo.

segundo documento da “Secção Administrativa e Policial de Estarreja” de 1937, informa-se o Governo Civil de Aveiro “que não há elementos que possam esclarecer como e quando acabaram as Associações dos “Marítimos da Murtosa” e …..”.

ou seja, foi sol de pouca dura.

seria interessante, em estudos futuros abordar o associativismo dos pescadores do concelho.

dou como exemplo o que se passa na torreira, onde se concentra a maior comunidade piscatória : os pescadores são representados, na sua maioria, por uma associação com sede em viana do castelo e por uma outra associação com sede em aveiro. a concessão da docapesca da torreira, foi ganha pela associação de aveiro.

se considerarmos que os pescadores descontam 1% para a associação que os representa e mais 1% para o concessionário da docapesca, talvez cheguemos a números interessantes.

tentei sabê-los mas …. até hoje nada.

porque é que o associativismo local não vinga entre os pescadores do concelho e vão buscá-lo fora?

mais que uma pergunta, fica um desafio para quem se dedica ao estudo das comunidades piscatórias.
(cirandar berbigão)

os moliceiros tem vela (245)


porque hoje, no brasil, é dia
nacional da fotografia e do fotógrafo

0-ahcravo_dsc_5990-bw

o A. Rendeiro, com o ti zé rebeço ao leme e o manuel antão

para que se lembrem
ou acordem
os que podem querem e mandam
mas parece não saberem

que este pode ser
um dos motores do turismo temático
da ria
onde de novo
produzirá riqueza

assim o queiram
assim o saibam
assim o não ignorem
maltratem ou dele descuidem

para mim é dele o dia

0-ahcravo_dsc_5990

(torreira; regata do s. paio; 2014)

postais da ria (196)


notas de um retirante

0-ahcravo_dsc_8752-bw

joão manuel brandão e a cabrita alta

Como Deus não pode alterar o passado, é obrigado a depender dos historiadores para o fazerem

Afonso Cruz, em “MIL ANOS DE ESQUECIMENTO”
………………

vivografia e bibliografia

não, não há troca de bb por vv, são duas formas de descrever os dias.

na “vivografia” recolhem-se testemunhos, vivem-se os dias de quem ou daquilo sobre que se quer escrever. usam-se fontes “directas”.

consultando bibliotecas, textos escritos por outros, apresenta-se no fim do escrito a “bibliografia”. usam-se “fontes indirectas”.

o escrito passará mais tarde a bibliografia de outros, passará a ser fonte e …. se a fonte não reflectir o real?

exemplo:

bibliografia: “ A par da apanha legal de bivalves tem-se desenvolvido nos últimos anos a apanha ilegal dos mesmos, sem licença, potenciada pelas suas periódicas interdições por razões de saúde pública

(escrito em 2016, já é passado em 2017)

vivografia: conhecendo a realidade da ria, podemos dizer o seguinte:

em 2012 e até 2014, houve uma proliferação extraordinária de ameijoa japónica na ria de aveiro. período que coincidiu com a crise. nestes anos um número anormalmente grande de ilegais invadiram a ria, a pé, mas a colheita foi perfeitamente marginal e sem significado, face à captura feita pelos pescadores profissionais e legalizados. em 2015 a japónica quase desapareceu.

a apanha em períodos de interdição, embora exista, continua a ser marginal, nos circuitos de apanha e comercialização.

o que é ilegal há muitos anos e, aí sim, temos valores significativos, é apanha de bivalves com artes ilegais.

não digo mais nada, porque toda a gente sabe do que falo ….. toda a gente que conhece a ria, digo eu.

por vezes, mais vale não dizer nada do que “querer tapar o sol com a peneira”.

(cabrita alta – arte legal; 2012)

os moliceiros têm vela (244)


é tempo de moliceiros

0-ahcravo_dsc_6922-a-bw

abílio fonseca (carteirista)

há gestos que dão vida
há silêncios que matam
há palavras que assassinam

há homens que se revelam
a cada instante
de uns fica a memória de terem sido
de outros a de serem para sempre

para o ti abílio mais que a palavra
o gesto o abraço o estar aqui
mesmo se retirado

em 2016
o ti abílio salvou-me o ano
que outros mataram

para ele 2017 é pequeno
o tempo todo não chega

é tempo de moliceiros
queiram ou não
será sempre

0-ahcravo_dsc_6922-a

80 anos de fibra

(regata do s. paio; 2016)