crónicas da xávega (188)


às gentes da xávega

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haja peixe certo no tempo certo

que 2017 traga às redes
o peixe o carapau a sardinha
que negou em 2016
no tempo certo

que nem todo o tempo o é
isso aprendi
por isso o desejo

a todos os que da xávega
fazeis vida

que os que ainda não vos respeitam
aprendam em 2017
que quando deixardes de ser
a sua terra perderá
muito mais de si
do que uma simples arte de pesca

perderá o futuro
porque deixou morrer
o passado

(torreira; 2015)

postais da ria (195)


notas de um retirante

enguias, onde?

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a receita “caldeirada de enguias à murtoseira”, tem imagem de marca e é única.

a receita, entenda-se.

agora fica a pergunta: ainda há enguias na ria? ainda há quem possa fazer vida da apanha de enguias? as enguais ainda são uma riqueza da ria?

em tempos de haver moliço e a ria ser a de eu me lembrar, apanhava-se enguia à certela, à fisga, ao candeio, à chincha, com galrichos ……

apanhava-se porque havia. e agora?

a companha do manel trabalhito, pai, apanhava-as à chincha de pareja, o filho continuou, não sei se ainda continua. o henrique “orelhas” continua com a chincha de pareja. na torreira são os que conheço.

haverá talvez 2 pescadores, poucos mais, que apanham algumas enguias com galrichos, mas com bateiras atracadas no lado da serra: bestida, murtosa, bunheiro ……

as enguias que se comem no concelho e nos festivais gastronómicos; as que a comur conserva e vende; as que a maior parte dos restaurantes serve…. todas essas, de onde vêm?

há enguias na ria? há, sim senhor. mas há quantos anos não chegam para as encomendas?

neste galricho vão 2, nos galrichos todos foram para aí 3 ou 4 – em 2012, com o armando bastos (piço) e o emanuel (rico).

não adianta esconder o sol com a peneira. fazem-se boas caldeiradas nos restaurantes do concelho da murtosa, mas em quantos se comem enguias da ria e quantas vezes?

vale a pena procurar e perguntar e só depois escrever.

(2012)

os moliceiros têm vela (243)


notas de um retirante

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para que conste

em 1999 o mestre zé rito, que tinha o estaleiro ao lado de casa, construiu, a céu aberto num terreno em frente ao estaleiro, o moliceiro “zé rito”.

em 2016, o mestre zé rito construiu, a céu aberto num terreno ao lado do “museu estaleiro do monte branco”, o moliceiro “um sonho”.

evolução? continuidade? o que mudou para que tudo continuasse na mesma.

aqui fica o convite para visitarem o museu estaleiro e aprenderem vendo.

(construção do moliceiro “um sonho”; 2016)

crónicas da xávega (187)


notas de um retirante

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o jorge carriço a relembrar velhos tempos

o último ano em que, na torreira, se fez alagem com bois, foi em 2001. (confirme-se com o joão da calada)

a companha era a do joão da calada e o barco, o óscar miguel.

entre os bois e os tractores, penso que houve um período curto em que se fez alagem a tirante. tire-se isto a limpo.

em 2013, ano de eleições autárquicas, pela primeira vez a câmara da murtosa fez uma recriação da xávega.

para o ano há de novo eleições, porque não, pelo menos de 4 em 4 anos, fazer uma recriação?

(torreira; setembro, 2013)

os moliceiros têm vela (242)


notas de um retirante

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a realidade é mais surreal

em 2012 não houve regata da ria. o relato dos porquês, dos como e dos quem, está feito no meu blog, na publicação:

há moliceiros na ria em protesto

e outras, anteriores e posteriores. é uma questão de pesquisar.

a terminar o ano, mais umas dicas para a história dos moliceiros:

quando em 2012 a regata não se realizou, a entidade promotora era o “turismo de aveiro” e a organizadora a habitual “associação dos amigos da ria e do barco moliceiro”.

quando o turismo de aveiro soube pela imprensa qual o valor que estava em causa, terá dito que afinal até teria sido possível angariar esse montante. então quanto é que a organização tinha pedido?

em 2016 soube que, do montante atribuído à regata, só cerca de 50% chega aos moliceiros…. mais não digo

entre 2013 e 2015 a entidade organizadora foi a “associação náutica da torreira” que, por questões financeiras, acabou por não pagar a totalidade dos prémios devidos aos moliceiros

em 2016, tendo em conta o que aconteceu com os pagamentos de 2015, a organização passou para o rancho folclórico “camponeses da beira ria”.

os responsáveis pela organização foram mudando mas os prémios para os moliceiros mantiveram-se.

seria interessante estudar a repartição, em valor absoluto e percentagem, ao longo dos anos, das verbas atribuídas à “regata da ria”.

eu? eu não sei nada.

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há muito para desvendar, ainda

(ria de aveiro; 2012)

crónicas da xávega (186)


notas de um retirante

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ti augusto

a partir de 2011 a companha do marco passou a ser composta maioritariamente por pescadores não residentes na torreira, nem no concelho.

o ti augusto, na fotografia, foi um deles.

para quem queira um dia fazer um estudo sobre a evolução das companhas da torreira, aqui fica mais esta dica.