postais da ria (363)


chama-se dinis

(torreira; corrida de chinchorros; s paio; 2020)


para quem não conhece, nas festas do s. paio da torreira realizam-se sempre duas regatas à vela ( moliceiros e bateiras) e uma corrida a remos (chinchorros)


este ano a bateira chinchorra vencedora foi a “dinis”.


a estrear, foi feita pelo mestre zé rito, para o neto zé pedro, que lhe deu o nome do irmão, dinis.

na foto vê-se, de pé e em tronco nu, o pai do zé pedro e do dinis, alfredo miranda.

para todos os meus parabéns e um abraço

os moliceiros têm vela (421)


aos amigos

(torreira; regata do s. paio; 2020)

a alegria de estar na ria com os amigos e assistir ao espectáculo das regatas, é um acontecimento que não perco, que não perderei enquanto puder.


o agradecimento ao quim calmaria pela forma como está sempre pronto para mais uma regata e o saber “o que os fotógrafos querem”. boa safra nos mares do norte, quim


ao jim por ter “estado de prontidão” com a sua chata, para o caso de aparecerem amigos à última da hora e que quisessem acompanhar a regata no meio da ria.

ao jorge bacelar, ao silva tavares, à isabel lobo e ao pedro (que vieram de lisboa e do porto, de propósito), pela alegria de estarmos juntos e acontecer fotografia


ao amigo que, do paredão, quando viu chegar a chata, gritou “ah gorim!” – há quantos anos não se ouvia este grito na ria…


haja saúde e para o ano lá estaremos

os moliceiros têm vela (420)


raízes

ti zé rebeço ( torreira; regata s. paio; 2020)
vêm de longe
trazem nos olhos a limpidez
da ria antiga


homens inteiros
fogem das ribaltas
que outros buscam
a qualquer preço


escondem-se para serem
o que sempre foram
são eles serão sempre eles


as minhas raízes

crónicas da xávega (352)


o homem

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torreira; 2013

 
democráticos vos digo
de tão diversos
 
os que sombra projectam
e são a luz silenciosa
 
os que passam e nem se sabem
e existem porque sim
 
os tantos tão piquenos e reles
que nem pisá-los pois sujos
ficamos de ignorar são
 
bem pode quem vos fez
limpar as mãos à parede
como diz o povo
 
como drummond questiono
“que coisa é o homem?
existe o homem?”
 
na areia da praia um homem
tenta salvar a espécie
 

os moliceiros têm vela (417)


1 de agosto de 2020, regata do emigrante, um olhar

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o bruno daniel e o mestre zé rito

 
não foi ao domingo, foi no sábado, também não foi o percurso habitual, mas foi no bico. não estamos num ano comum, esperemos que não se prolongue.
 
uma regata de moliceiros é sempre um espectáculo e esta foi um grande espectáculo.
mas dentro dos moliceiros vão homens, homens que compraram moliceiros, homens que os fizeram.
 
este ano, em que perdemos um moliceiro para os canais de aveiro, ganhámos mais um “moliceiro” , o bruno daniel marçal dias que comprou o moliceiro do mestre zé rito. um jovem. mais um.
 
e é de jovens que quero falar, não os contei, mas em quase todos os moliceiros havia tripulantes jovens a mostrar ao resistente, ti zé rebeço, que os moliceiros continuam, haja vontade e apoio de quem decide – e este ano houve.
 
espero em 2021, voltar a ver a frota de moliceiros reposta – verdade, mestre zé rito?
 
parabéns bruno daniel – esta já é a tua segunda regata – aprendeste, como alguns mais velhos ainda não aprenderam, que não se pode ganhar sempre, que as regatas são uma festa, que há erros mas que não são propositados, que nas festas só pode haver festa, que o importante é participar e fazer da ria aquilo que ela merece: um lago de cisnes.
 
(torreira; 1 de agosto de 2020)