era uma vez

na bica da proa o sonho navegou ria fora velas enfunadas brancas sempre brancas poiso de palavras de desejos branca a espuma à ré marca de nada mais também eu

era uma vez

na bica da proa o sonho navegou ria fora velas enfunadas brancas sempre brancas poiso de palavras de desejos branca a espuma à ré marca de nada mais também eu

sabes

sabes, estou cansado, apetece-me dormir e deixar que volte o tempo em que todos os dias é verão e eu … eu andava sem cuidados pelas ruas
chama-se dinis

para quem não conhece, nas festas do s. paio da torreira realizam-se sempre duas regatas à vela ( moliceiros e bateiras) e uma corrida a remos (chinchorros)
este ano a bateira chinchorra vencedora foi a “dinis”.
a estrear, foi feita pelo mestre zé rito, para o neto zé pedro, que lhe deu o nome do irmão, dinis.
na foto vê-se, de pé e em tronco nu, o pai do zé pedro e do dinis, alfredo miranda.
para todos os meus parabéns e um abraço
mortal

cresço no tempo de onde vou lentamente partindo solares estes dias lágrima retida desilusão sonho parto e fico é perigoso estar vivo mais perigoso respirar mortal falar
aos amigos

a alegria de estar na ria com os amigos e assistir ao espectáculo das regatas, é um acontecimento que não perco, que não perderei enquanto puder.
o agradecimento ao quim calmaria pela forma como está sempre pronto para mais uma regata e o saber “o que os fotógrafos querem”. boa safra nos mares do norte, quim
ao jim por ter “estado de prontidão” com a sua chata, para o caso de aparecerem amigos à última da hora e que quisessem acompanhar a regata no meio da ria.
ao jorge bacelar, ao silva tavares, à isabel lobo e ao pedro (que vieram de lisboa e do porto, de propósito), pela alegria de estarmos juntos e acontecer fotografia
ao amigo que, do paredão, quando viu chegar a chata, gritou “ah gorim!” – há quantos anos não se ouvia este grito na ria…
haja saúde e para o ano lá estaremos
raízes

vêm de longe trazem nos olhos a limpidez da ria antiga homens inteiros fogem das ribaltas que outros buscam a qualquer preço escondem-se para serem o que sempre foram são eles serão sempre eles as minhas raízes
s//t

de tudo o que vivi só posso dizer uma coisa vivi-o intensamente é de mim que falo quando semeio palavras por aí

torreira; 2013

o bruno daniel e o mestre zé rito