postais da ria (221)


o meu tempo

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o meu tempo
é todos os tempos
fazemo-nos

ontem que relembro
para me alimentar
hoje onde sou para ter sido
e ajo para que
amanhã seja eu ontem ainda

futuro a que acrescentei
o meu tempo
o tempo que fiz
o tempo que me fez

o tempo que não deixei
que se fizesse sem mim

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(torreira; regata das bateiras à vela; s. paio; 2013)

postais da ria (217)


manda quem pode

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tradicionalmente as regatas do s. paio da torreira realizam-se no fim de semana: no sábado a regata de bateiras à vela e a corrida de chinchorros ( a mais emocionante de todas), no domingo a regata de moliceiros.

estranhamente, este ano, a corrida de chinchorros vai ser na quinta-feira dia 7. assim quem só tiver o fim de semana livre, ou vier de fora para assistir às regatas, não vai poder assistir às corridas de chinchorro.

é uma pena, porque é na corrida de chinchorros que se vivem os momentos mais emocionantes das regatas.

será que quem organiza as regatas e é por ela responsável – executivo municipal ou comissão de festas – alguma vez assistiu com olhos de ver às corridas de chinchorros?

alguma vez o horário das marés impediu que a regata de bateiras à vela e a corrida de chinchorros se realizasse no mesmo dia?

alguma vez viram/sentiram a festa que é para os pescadores o participar na corrida de chinchorros e como essa festa deve ser partilhada pelo maior número de pessoas possível?

caros senhores que nestas coisas mandais, parai para pensar e se motivos de muita força vos fizeram mudar a corrida para quinta-feira, pensai na força que perde a força maior das regatas : os pescadores da torreira.

gostava de não escrever o que aqui digo, mas custava-me mais nada dizer.

lá estarei, porque reformado, porque ainda posso. mas lamento os amigos que trabalham, os que vêm de longe e pensavam ver as regatas todas e, alguns já o manifestaram, vão perder a mais emocionante.

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fica o vídeo que fiz o ano passado para que sintam, os que decidem, e vejam os que, com esta decisão, não vão poder ver.

 

 

(corrida de chinchorros; s. paio, 2016)

os moliceiros têm vela (258)


urgente

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ao longe
muito ao longe
a memória

algures um barco
dentro dele um homem
o homem-barco

urgente unir os que
são a memória perto
desse tempo longe
não muito ainda

dar-lhes as mãos
de que carecem
para que um dia
não se escreva
não se possa dizer

ao longe
muito ao longe

havia um barco
dentro dele um homem
um homem-barco

eu

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(regata do s. paio; 2016)

os moliceiros têm vela (244)


é tempo de moliceiros

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abílio fonseca (carteirista)

há gestos que dão vida
há silêncios que matam
há palavras que assassinam

há homens que se revelam
a cada instante
de uns fica a memória de terem sido
de outros a de serem para sempre

para o ti abílio mais que a palavra
o gesto o abraço o estar aqui
mesmo se retirado

em 2016
o ti abílio salvou-me o ano
que outros mataram

para ele 2017 é pequeno
o tempo todo não chega

é tempo de moliceiros
queiram ou não
será sempre

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80 anos de fibra

(regata do s. paio; 2016)

os moliceiros têm vela (242)


notas de um retirante

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a realidade é mais surreal

em 2012 não houve regata da ria. o relato dos porquês, dos como e dos quem, está feito no meu blog, na publicação:

há moliceiros na ria em protesto

e outras, anteriores e posteriores. é uma questão de pesquisar.

a terminar o ano, mais umas dicas para a história dos moliceiros:

quando em 2012 a regata não se realizou, a entidade promotora era o “turismo de aveiro” e a organizadora a habitual “associação dos amigos da ria e do barco moliceiro”.

quando o turismo de aveiro soube pela imprensa qual o valor que estava em causa, terá dito que afinal até teria sido possível angariar esse montante. então quanto é que a organização tinha pedido?

em 2016 soube que, do montante atribuído à regata, só cerca de 50% chega aos moliceiros…. mais não digo

entre 2013 e 2015 a entidade organizadora foi a “associação náutica da torreira” que, por questões financeiras, acabou por não pagar a totalidade dos prémios devidos aos moliceiros

em 2016, tendo em conta o que aconteceu com os pagamentos de 2015, a organização passou para o rancho folclórico “camponeses da beira ria”.

os responsáveis pela organização foram mudando mas os prémios para os moliceiros mantiveram-se.

seria interessante estudar a repartição, em valor absoluto e percentagem, ao longo dos anos, das verbas atribuídas à “regata da ria”.

eu? eu não sei nada.

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há muito para desvendar, ainda

(ria de aveiro; 2012)

crónicas da xávega (186)


notas de um retirante

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ti augusto

a partir de 2011 a companha do marco passou a ser composta maioritariamente por pescadores não residentes na torreira, nem no concelho.

o ti augusto, na fotografia, foi um deles.

para quem queira um dia fazer um estudo sobre a evolução das companhas da torreira, aqui fica mais esta dica.

crónicas da xávega (185)


o meu amigo ricardo

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no reçoeiro, o esforço quando a manga chega e é urgente trazer o saco para terra, a máquina não basta.o homem sempre

14 anos de idade, 11 anos depois de o ter conhecido.

o homem e a máquina, a máquina do homem, do tempo, do esforço, do crescer assim rente ao mar, com o mar nos olhos a invadir o sangue.

o puto que já foi, no homem que é puto ainda, para mim

(torreira; 2016)

no reçoeiro, o esforço quando a manga chega e é urgente trazer o saco para terra, a máquina não chega.

postais da ria (192)


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henrique pai e henrique filho, brandões (gamelas)

o tempo tudo julga
e a seu tempo
dirá de sua justiça

o tempo julga
à velocidade
da justiça portuguesa

em sede de recurso
se acaso houvesse
seria de mortos a demanda

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os henriques brandão, pai e filho

 

(torreira; cirandar)