dos sábios e da sabedoria

sábios os que não falam
porque não erram
sábios os que nada fazem
porque ninguém lhes critica a obra
mais sábia a estátua
onde poisam pombas
que lhe cagam em cima

(ria de aveiro; regata da ria; 2010)
dos sábios e da sabedoria

sábios os que não falam
porque não erram
sábios os que nada fazem
porque ninguém lhes critica a obra
mais sábia a estátua
onde poisam pombas
que lhe cagam em cima

(ria de aveiro; regata da ria; 2010)
carta aos resistentes

não se darem as mãos
não serem um
habitado por muitos
admiro que ainda
perguntas-me como
só encontro uma palavra
amor
assim a terra
o entendesse
não se darem as mãos
não serem um
habitado por muitos
não é sonho
é viver ou morrer

(regata do bico; 2017)

sonharei sempre

sonharei sempre
de olhos abertos
atento às palavras
recuso-me a ser
o que cala e aceita
sem questionar
também o sol
que aquece e ilumina
projecta sombra
que dizer da lua
e das suas duas faces
sonharei sempre
de olhos atentos
questionarei
deixo as certezas
para os treinadores
de bancada
levo comigo a dúvida
companheira amiga
na busca de saber
sonharei sempre

o “A. Rendeiro” com o ti zé rebeço e manel antão
(torreira; regata do s. paio; 2015)
eu tenho um sonho

como os barcos
assim fossem os homens
não os que neles
que maiores ainda são
dessem-se as mãos
as vontades os quereres
fizessem-se actos
as palavras ditas semeadas
esparsas solitárias
soubessem-se moliceiros
todos
diriam em voz de se ouvir
“somos esta terra
a sua memória o seu futuro
merecemos mais”

(murtosa; regata do bico; 2017)

a porta está aberta

nos braços a força
na vela a bandeira
na vontade o ainda
moliceiro sinto-o assim
branco e negro
belo em risco
à janela há
quem espreite
que entre
a porta está aberta

(torreira; s. paio; 2017)
regata do s. paio 2017

a última regata do ano, na ria de aveiro foi a mais participada de todas, com 11 moliceiros da classe A e 2 da classe B.
classe A
Zé Rito
A. Rendeiro
Marco Silva
Dos Netos
Inobador
Bulhas
Um Sonho
C. M. Murtosa
S. Salvador
O Amador
Manuel Vieira
classe B
Ecomoliceiro
Sermar
posição à chegada
1º Marco Silva
2º A. Rendeiro
3º Zé Rito
4º Bulhas
5º Um Sonho
foi uma bela regata e mais bela ficou a ria onde decorreu. mais um ano que os moliceiros tradicionais levaram de vencida.
mais um ano em que os donos dos barcos deram tudo para que eles continuassem. de compensação pelo seu esforço financeiro só os prémios das regatas…..E NÃO CHEGAM.
PARA QUANDO O RECONHECIMENTO DO MOLICEIRO COMO PATRIMÓNIO MURTOSEIRO, NACIONAL E MUNDIAL, MERECEDOR DOS DEVIDOS APOIOS E INCENTIVOS?
mas…..
foi um ano de festa, mais um moliceiro da classe A na regata e mais outro em construção no chegado.
foi um s. paio de azar para o zé rito que viu a verga, ou invergue, partir perto da meta e assim perdeu o primeiro lugar.
foi pena não ver o meu amigo, figura típica e castiça da ria, ti zé formigo na tripulação do moliceiro da C. M. da Murtosa.
foi bom a AFAVM, no seu primeiro ano de vida ainda por completar, ter feito a divulgação da regata pelos seus associados e criado condições para que pudessem acompanhar a regata a bordo de barcos de pescadores da torreira.
todos, pelo empenho, pela dedicação e pela iniciativa são merecedores do nosso respeito e admiração.
até para o ano amigos, na regata ria espero voltar a ver-vos

(torreira; regata do s. paio; 2017)
moliceiro

olhar-te
é ver-me

(torreira; s. paio; 2014)
correr por gosto também cansa e eu estou velho

(extracto de uma troca de comentários a uma foto minha de moliceiros, no facebook, no grupo “moliceiros com história” , criado por mim )
“- Que ELEGÂNCIA!!! Que IMPONÊNCIA!!! Não hajam dúvidas: somos um povo privilegiado, com estas BELEZAS…
– não basta tê-los, é preciso mantê-los. é esse o desafio que se nos coloca todos os anos. por isso este grupo: para alertar mostrando a sua beleza
– ISSO é outra “loiça”, António… compreendo…”
e assim termina a conversa com um murtoseiro.
moliceiros sim, gosto muito, mas …. passo a outro a luta.
por mim tá passada.
agora vou curtir os moliceiros, dizer que os amo muito, mas não quero ter problemas.
murtosa é isto

(regata do bico; murtosa; 2017)