espero um dia novo

há-de ir à vara
espero um dia novo
a cada dia
nada mais peço que
novo seja
de memória o sonho

o homem e o barco
(murtosa; regata do bico; 2010)
espero um dia novo

há-de ir à vara
espero um dia novo
a cada dia
nada mais peço que
novo seja
de memória o sonho

o homem e o barco
(murtosa; regata do bico; 2010)
cheio só de mim

um a um os “andares” vão entrando na bateira
braço a braço
os dias
por entre os dedos
foram
olhos por dentro
dos olhos
estas memórias
queria a rede cheia
que de sonhos fora
para um dia te legar
mas nem isso
vou-me como vim
nu de tudo
cheio só de mim

nem sempre a rede salva o salvador, é assim a vida de pescador
(torreira; alar da solheira; 2010)
homens da ria

eles podem ser o futuro, assim os deixem e apoiem
há moliceiros na ria
porque de paixão
estes rostos cheios
retesados corpos
na ânsia da vela
mais alto o mastro
voga o sonho
dentro deles
num amanhã
onde não estarei
serão eles os mestres
senhores dos ventos
homens da ria

zé pedro miranda, joão magina e rui rodrigues (russo)
(murtosa; regata do bico; 2014)
regressarão

depois do alar da solheira regressa-se, no balde o pescado (2010)
come-se à mesa
o que da ria
horas porfiadas
marés redes
conta-se o tempo
o ganho parco
no fundo do balde
parte-se porque
é fraco o ganho
para tanto
para tão pouco
vão-se os homens
e são senhores do mar
escravos da ria
terra sua de ser água
até quando pergunto
e só o silêncio
onde vozes por vezes
jamais o gesto
regressarão

a olhar o balde, o salvador faz as contas, e é tão pouco (2010)
(torreira; solheira; 2010)
um dia eu também

o “doroteia verónica” era assim
regressarei sempre
ao corpo
ao meu corpo ainda
esta coisa onde me
penduro
estendal de saberes
palavras sentires
por haver já
não muito para
uma folha caiu
levantou voo
ligeira uma ave
um dia eu também

um moliceiro é assim
(torreira; regata do s. paio; 2010)
para os que longe

dói-me o que sei
e não vejo
falo da saudade

(murtosa; regata do bico; 2008)

os filhos do arrais marco silva, sérgio e ricardo
no dia 20 de junho de 2015, foi deitado à ria o moliceiro “Marco Silva”.
começado a construir em março pelo arrais marco silva e pelo mestre firmino tavares, com a ajuda dos filhos e amigos, o arrais marco silva voltava a ter um moliceiro.
depois da venda, há uns anos, do “Ricardo e Sérgio”, por não ter condições para a sua manutenção, o arrais voltava à ria com barco novo.
sem quaisquer apoios institucionais, como é costume em nome do défice, mas com muita “paixão” e solidariedade de todos, conseguiu.
deste momento importante da vida de ambos, homens e barco, não consegui registar o instante mais significativo do bota-abaixo: o baptismo e o deslizar pela rampa, tal era a aglomeração de gentes e repórteres e…. não menos importante, os meus parcos 1,65 metros de altura.
o bota-abaixo foi feito na marina de recreio da torreira, propriedade da associação naval da torreira, e o barco deslizou tão bem e reconheceu tão depressa a ria, que o arrais marco teve de nadar para ir ter com ele e assumir o lugar que lhe competia.
depois, o “Marco Silva” levou a bordo a companha de xávega do arrais marco, que esteve presente em todos os momentos do bota-abaixo, e alguns amigos.
de realçar o papel dos filhos sérgio e ricardo em todos os momentos da construção, aproveitando férias e fins de semana. se os barcos do arrais marco silva, têm os nomes dos seus familiares, verdade seja dita que sempre os tem a seu lado quando é preciso.
aqui fica o testemunho da realização de um sonho, do regresso do mestre firmino tavares à arte de construção naval, da força de uma família e da unidade de uma companha.
é esta a ria das solidariedades e dos HOMENS
da insónia

raiva de não escrever
de olhos fechados
as palavras que me assaltam
noite dentro e fogem
sem deixar mais
que a lembrança
de terem sido
tudo parecia tão claro

(torreira; o alar da solheira)
sem tempo

no meu é que era
tudo tem o seu
foi mesmo a
falta-me sempre
não sei se chega a
já não era sem
veio fora de
tanto sem te ver
estou a matar o
acabou-se o

(torreira; regata da bateiras à vela; s. paio; 2012)
quentes e …. (4)

modernidade e tradição, a convivência
comprei um papagaio
veio com um poleiro
e comida bastante
pu-lo na varanda
é o dono da terra

se quisermos é um cenário sempre possível
(torreira; regata da ria; 2010)