como se o tempo
esfarelado
por entre os dedos

(torreira)
como se o tempo
esfarelado
por entre os dedos

(torreira)
o meu amigo ricardo

no reçoeiro, o esforço quando a manga chega e é urgente trazer o saco para terra, a máquina não basta.o homem sempre
14 anos de idade, 11 anos depois de o ter conhecido.
o homem e a máquina, a máquina do homem, do tempo, do esforço, do crescer assim rente ao mar, com o mar nos olhos a invadir o sangue.
o puto que já foi, no homem que é puto ainda, para mim
(torreira; 2016)
no reçoeiro, o esforço quando a manga chega e é urgente trazer o saco para terra, a máquina não chega.

henrique pai e henrique filho, brandões (gamelas)
o tempo tudo julga
e a seu tempo
dirá de sua justiça
o tempo julga
à velocidade
da justiça portuguesa
em sede de recurso
se acaso houvesse
seria de mortos a demanda

os henriques brandão, pai e filho
(torreira; cirandar)

por entre as mãos
correm rios tristes
e são de mar
(torreira; 2016)
cirandando ideias

ciranda de um (era uma vez uma caixa de fruta…)
nada é tão certo
como o incerto

cirandar berbigão
(torreira; 2016)
o meu amigo agostinho canhoto

(torreira; 2016)
hoje não penso

cirandar berbigão
recuso-me a pensar
recuso perguntar porquê
hoje não penso

o salvador belo e o irmão. pedro
(torreira; 2016)
mãos de dar

não
não me arrependo
de serem de dar as mãos
que me deram
nos cotos
dos braços que me levaram
outras mãos nasceram
para continuarem a dar
haverá amargura
por dentro dos dias agora
mas brilha nos olhos
o sol de sempre
o tempo
que nunca caberá nas mãos
é oferta impossível
usaram-no mal

(torreira; 2016)
nada é

não há máximas
que me tirem daqui
era o mínimo
que o ouviam dizer
calou-o a realidade
ignorada
o homem o trouxe
e o levou
o tempo calará
o mais

(torreira; 2016)
(meditação com moliceiros em fundo)

filho da mãe
durante muito tempo me interroguei do porquê de a expressão “filho da mãe”, ter um sentido depreciativo.
para mim, ser filho da mãe era tão natural como estar vivo, não há outra forma de ser.
mas o povo, o que nos põe na boca as expressões que usamos, sabe das palavras mais que as letras, vai-lhes ao sentir. era isso que me faltava: sentir.
hoje entendo perfeitamente o significado da expressão e a sua conotação depreciativa, entendo porque senti e sentir é a melhor forma de compreender.
espero que nunca sintam o sentido desta frase e que a digam de forma natural, como o fazem com outra qualquer:
FILHO DA MÃE!

(torreira; regata da ria; 2011)