palavras amarradas

quase ternura
está cheio o baú
de palavras por dizer
o silêncio são palavras
amarradas
(torreira; 2014)
palavras amarradas

quase ternura
está cheio o baú
de palavras por dizer
o silêncio são palavras
amarradas
(torreira; 2014)
é tempo de moliceiros

abílio fonseca (carteirista)
há gestos que dão vida
há silêncios que matam
há palavras que assassinam
há homens que se revelam
a cada instante
de uns fica a memória de terem sido
de outros a de serem para sempre
para o ti abílio mais que a palavra
o gesto o abraço o estar aqui
mesmo se retirado
em 2016
o ti abílio salvou-me o ano
que outros mataram
para ele 2017 é pequeno
o tempo todo não chega
é tempo de moliceiros
queiram ou não
será sempre

80 anos de fibra
(regata do s. paio; 2016)
às gentes da xávega

haja peixe certo no tempo certo
que 2017 traga às redes
o peixe o carapau a sardinha
que negou em 2016
no tempo certo
que nem todo o tempo o é
isso aprendi
por isso o desejo
a todos os que da xávega
fazeis vida
que os que ainda não vos respeitam
aprendam em 2017
que quando deixardes de ser
a sua terra perderá
muito mais de si
do que uma simples arte de pesca
perderá o futuro
porque deixou morrer
o passado
(torreira; 2015)
notas de um retirante
enguias, onde?

a receita “caldeirada de enguias à murtoseira”, tem imagem de marca e é única.
a receita, entenda-se.
agora fica a pergunta: ainda há enguias na ria? ainda há quem possa fazer vida da apanha de enguias? as enguais ainda são uma riqueza da ria?
em tempos de haver moliço e a ria ser a de eu me lembrar, apanhava-se enguia à certela, à fisga, ao candeio, à chincha, com galrichos ……
apanhava-se porque havia. e agora?
a companha do manel trabalhito, pai, apanhava-as à chincha de pareja, o filho continuou, não sei se ainda continua. o henrique “orelhas” continua com a chincha de pareja. na torreira são os que conheço.
haverá talvez 2 pescadores, poucos mais, que apanham algumas enguias com galrichos, mas com bateiras atracadas no lado da serra: bestida, murtosa, bunheiro ……
as enguias que se comem no concelho e nos festivais gastronómicos; as que a comur conserva e vende; as que a maior parte dos restaurantes serve…. todas essas, de onde vêm?
há enguias na ria? há, sim senhor. mas há quantos anos não chegam para as encomendas?
neste galricho vão 2, nos galrichos todos foram para aí 3 ou 4 – em 2012, com o armando bastos (piço) e o emanuel (rico).
não adianta esconder o sol com a peneira. fazem-se boas caldeiradas nos restaurantes do concelho da murtosa, mas em quantos se comem enguias da ria e quantas vezes?
vale a pena procurar e perguntar e só depois escrever.
(2012)

pudessem as mãos
chorar
seriam delas as lágrimas
também
notas de um retirante

o jorge carriço a relembrar velhos tempos
o último ano em que, na torreira, se fez alagem com bois, foi em 2001. (confirme-se com o joão da calada)
a companha era a do joão da calada e o barco, o óscar miguel.
entre os bois e os tractores, penso que houve um período curto em que se fez alagem a tirante. tire-se isto a limpo.
em 2013, ano de eleições autárquicas, pela primeira vez a câmara da murtosa fez uma recriação da xávega.
para o ano há de novo eleições, porque não, pelo menos de 4 em 4 anos, fazer uma recriação?
(torreira; setembro, 2013)

o largar da solheira
o meu amigo salvador

o salvador
notas de um retirante

a realidade é mais surreal
em 2012 não houve regata da ria. o relato dos porquês, dos como e dos quem, está feito no meu blog, na publicação:
e outras, anteriores e posteriores. é uma questão de pesquisar.
a terminar o ano, mais umas dicas para a história dos moliceiros:
quando em 2012 a regata não se realizou, a entidade promotora era o “turismo de aveiro” e a organizadora a habitual “associação dos amigos da ria e do barco moliceiro”.
quando o turismo de aveiro soube pela imprensa qual o valor que estava em causa, terá dito que afinal até teria sido possível angariar esse montante. então quanto é que a organização tinha pedido?
em 2016 soube que, do montante atribuído à regata, só cerca de 50% chega aos moliceiros…. mais não digo
entre 2013 e 2015 a entidade organizadora foi a “associação náutica da torreira” que, por questões financeiras, acabou por não pagar a totalidade dos prémios devidos aos moliceiros
em 2016, tendo em conta o que aconteceu com os pagamentos de 2015, a organização passou para o rancho folclórico “camponeses da beira ria”.
os responsáveis pela organização foram mudando mas os prémios para os moliceiros mantiveram-se.
seria interessante estudar a repartição, em valor absoluto e percentagem, ao longo dos anos, das verbas atribuídas à “regata da ria”.
eu? eu não sei nada.

há muito para desvendar, ainda
(ria de aveiro; 2012)
notas de um retirante

ti augusto
a partir de 2011 a companha do marco passou a ser composta maioritariamente por pescadores não residentes na torreira, nem no concelho.
o ti augusto, na fotografia, foi um deles.
para quem queira um dia fazer um estudo sobre a evolução das companhas da torreira, aqui fica mais esta dica.
14 de dezembro, de 1880

…………………………..
no diário do governo nº 285 de terça-feira, dia 14 de dezembro, de 1880, é publicada a lista dos pescadores que participaram no salvamento dos náufragos do nathalie e foram por isso contemplados com:
“Medalha de prata para distincção e prémio e prémio concedido ao mérito, philantropia e generosidade:
Francisco da Silva Vaz
José da Silva Vaz
Manuel Joaquim Gorim
José Manuel do Padre
José Maria Rodrigues Brandão
Joaquim Maria Rezende
José da Cunha Pereira
Francisco António Russo
António Joaquim Vidinha
Manuel João Bucinho
Gonçalo Serrano
Gonçalo António Netto
José do Padre
António Maria Tavares
Joaquim Raphael
José Gravato
Domingos Luís de Mattos
Matheus Carapilho
António Pereira
Manuel da Cruz
Manuel Mariquinhas
Pedro Carapilho
Joaquim Carinhas
Lourenço Caroço
António Padinha
Manuel Maria Rebello Sebollão
Gonçalo de Oliveira Vadé
Manuel Cascaes
Raphael Maria da Cunha
António Maria Sardo
Manuel Lenho
Manuel Maria Caravella
Manuel Tejeleiro
João António da Silva
Manuel Gorim Júnior
João José Tavares
João Carinhas
Manuel José Acabou
João Vida
Francisco Besugo
Joaquim Presada
Gonçalo Marim
Manuel José Soldado
Manuel Tameiro
José Maria Patarata
António Tigeleiro
Manuel Canito
António Baldaia
Manuel da Brasia
Joaquim Codea
João Sassu
Pedro Fernandes Tavares da Ruiva
Luiz de Pinho das Neves Padinho
Egydio Salgado
José Maria Sapata
Manoel Mariquitas”
(todos a trabalhar em companhas da torreira)
são eles que hoje, aqui, são lembrados, enquanto continuo a esperar que senos da fonseca, encontre provas documentais da participação do arrais ançã no salvamento. senos da fonseca e todos quantos o vêm divulgando.
para que a estória não passe a história, era bom que provas documentais surgissem, como a que publico. é que: “quem conta um conto acrescenta um ponto”