postais da ria (128)


cheio só de mim

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um a um os “andares” vão entrando na bateira

braço a braço
os dias
por entre os dedos
foram

olhos por dentro
dos olhos
estas memórias

queria a rede cheia
que de sonhos fora
para um dia te legar

mas nem isso

vou-me como vim
nu de tudo
cheio só de mim

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nem sempre a rede salva o salvador, é assim a vida de pescador

(torreira; alar da solheira; 2010)

postais da ria (127)


regressarão

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depois do alar da solheira regressa-se, no balde o pescado (2010)

come-se à mesa
o que da ria
horas porfiadas
marés redes

conta-se o tempo
o ganho parco
no fundo do balde

parte-se porque
é fraco o ganho
para tanto
para tão pouco

vão-se os homens
e são senhores do mar
escravos da ria
terra sua de ser água

até quando pergunto
e só o silêncio
onde vozes por vezes
jamais o gesto

regressarão

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a olhar o balde, o salvador faz as contas, e é tão pouco (2010)

(torreira; solheira; 2010)

sou tudo o que aqui encontras: vídeo do lançamento


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no dia 3 de setembro de 2015, foi o lançamento do livro “sou tudo o que aqui encontras” no monte branco café, na torreira.

apresentado pelo dr. diamantino moreira de matos e por mim, aqui fica o registo possível, mas integral, do acontecimento.

 

 

os moliceiros têm vela (176)


um dia eu também

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o “doroteia verónica” era assim

regressarei sempre
ao corpo
ao meu corpo ainda

esta coisa onde me
penduro
estendal de saberes

palavras sentires
por haver já
não muito para

uma folha caiu
levantou voo
ligeira uma ave

um dia eu também

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um moliceiro é assim

(torreira; regata do s. paio; 2010)

crónicas da xávega (123)


da raiva

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podem os homens
vencer o mar
ser o barco a casa

pode o mar calar
os homens
ouvir as mulheres

pode esta raiva
que trago no peito
salgar-me os olhos
enquanto pergunto

porquê

por muito pouco
que saibas do mar
saberás sempre
menos dos homens

fica a raiva a rugir
nas manhãs dos dias
breve anoitecidos

amarelecida espuma

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(torreira; companha do marco; 2013)