os pés enterram-se na areia a arder a rede caminha a força de braço a doer será este o sexo fraco?
(torreira; 2009)
à memória do ti manel trabalhito
(fica sempre uma marca do pescador nas águas onde pescou este brilho é o teu manel é o de todos os que já não)
hoje só me saem das mãos seixos rolados apanhei-os no mar e quero lançá-los à ria ali onde a tua bateira manel ficar assim a olhar os círculos onde o teu rosto boa noite manel
lembro os dias a luta a indecisão de o não saber como a aceitação a revolta as divisões a impotência as armas e os barões gordos e guardados protegidos afilhados um tempo gordo bolorento lembro os dias da decisão das armas roubadas aos barões dos canhões à praça virados da festa da liberdade tempo de cravos na mão foram-se as armas ficaram os barões e os afilhados livres as palavras e o engano livre tu para recusar e seres ainda não é pleno o nosso tempo
