memória_14042011


à memória do ti manel trabalhito

(fica sempre uma marca do pescador
nas águas onde pescou
este brilho
é o teu manel
é o de todos
os que já não)
hoje só me saem 
das mãos
seixos rolados

apanhei-os no mar
e quero lançá-los 
à ria

ali
onde a tua bateira
manel

ficar assim
a olhar os círculos
onde o teu rosto

boa noite manel

postais da ria (407)


torreira; colher; 2009
onde estive
para onde vou
tudo isso faz de mim
o que sou

um eterno caminhante
com apeadeiros
esporádicos onde
descanso tanto
ser e tanto sentir

sei que estou vivo
olho em frente
vivendo hoje
inventando amanhãs

todos os dias são
o primeiro dia
não é sérgio
torreira; colher; 2009

crónicas da xávega (490)


lembro os dias a luta
a indecisão de
o não saber como
a aceitação a revolta
as divisões a impotência

as armas e os barões
gordos e guardados
protegidos afilhados

um tempo gordo bolorento

lembro os dias da decisão
das armas roubadas aos barões
dos canhões à praça virados
da festa da liberdade

tempo de cravos na mão

foram-se as armas
ficaram os barões e os afilhados
livres as palavras e o engano
livre tu para recusar e seres

ainda não é pleno o nosso tempo
xávega; torreira; muleta; 2010