a lição do massa

o massa a alar a manga
entra em ti
a casa é enorme
abre as janelas
vê como o mundo
é pequeno
cresce dentro de ti
sê tu inteiro
(torreira; 2013)
a lição do massa

o massa a alar a manga
entra em ti
a casa é enorme
abre as janelas
vê como o mundo
é pequeno
cresce dentro de ti
sê tu inteiro
(torreira; 2013)
um homem só

um homem só
é
um homem só
o mais é
desperdício
de adjectivos
(torreira; s. paio 2012; corrida de chinchorros)
todo

todo o longe
é um perto
mais afastado
depende de ti
o não ser tanto

(torreira; regata s. paio; 2014)
até amanhã

plantaram-me
sobreiro
no meio do mar

(torreira; 2012)

(plano 15)
continuação de uma espécie de edição em banda desenhada virtual, com sequência diversa da do livro
o link para uma amostra no ISSUU
(torreira;1972)
plano 5
o livro está aí, caminha e diz-se, cresce e faz-se.
sexta-feira pelas 21h30m nos palheiros da tocha mais uma apresentação.
todos os dias há pedidos de quem o viu e sentiu, de quem ouviu falar dele, de quem ainda não mas …. quer
nunca pensei fazer algo de que gostasse tanto e de que tantos gostassem.
começo aqui, agora uma espécie de edição em banda desenhada virtual
o link para uma amostra no ISSUU
quando

com joão costeira
quando te contarem
cala
mesmo sabendo que
falso
não perturbes o lento
desmoronar da casa
(torreira; o largar da solheira; 2010)

o meu arrais, joão da calada, nos anos 90, meu mestre e grande amigo
é tempo de falar da companha que me ajudou a trazer à praia este trabalho, dizendo os seus nomes.
na escolha dos textos: maria josé barbosa e antero urbano
no trabalhar e seleccionar das imagens: jorge bacelar
na definição do formato do livro e acompanhamento da sua elaboração: helena mouro
na edição e em tudo: jorge pinto guedes (o meu editor e um grande amigo)
no lançamento na torreira, o pessoal de terra:
manuel arcêncio, director do agrupamento de escolas da murtosa, que entendeu desde sempre o meu trabalho e nesta fase final cedeu o espaço e toda a logística.
maria josé ferreira e arlindo silva, que trataram da parte mais delicada do lançamento: entregar os livros, receber os euros e prestar contas.
a todos eles o meu obrigado e um abraço comigo dentro.
bem hajam.
o filme ficou assim
quando o mar trabalha

depois de seco o saco é de novo fechado para o aparelho da xávega poder fazer novo lanço. ao acto de fechar o saco chama-se “dar o porfio”, é o que está a fazer o meu amigo agostinho canhoto
é de rede
deitada ao mar do tempo
este livro
em terra
ficará a contar estórias
a falar de muitas vidas
e saberes
fora dele muito mais
que para tudo
saco não havia
e peixe houve que saltou
deu-se o porfio
fechou-se o saco
é na praia que encontras
os búzios que procuraste
em casa
(torreira; 2011)
zé pedro

neste registo de 2013 o zé pedro deveria ter ainda 13 anos e já estava a coser o pano de uma vela.
em 2009 com 10 anos quando o avô, o mestre zé rito, construiu o moliceiro no estaleiro ao lado da casa, já ele andava a acompanhar a construção e a “botar” opinião.
depois começaram as participações em regatas, aos 12 anos já era timoneiro no moliceiro do falecido manel valas, onde com 15 anos apenas – ajuda-me se estiver errado, zé pedro – já foi arrais.
em 2014 ou 2015 com o rui (russo) e o ti manel valas, penso que ficaram em 3º lugar na regata da ria, chegando mesmo a ir na frente em alguns momentos da regata.
digo isto sem consultar documentação, de memória. o importante não é o ano, não é o lugar à chegada, o importante é o amor à partida.
o zé pedro, hoje com 19 anos, é um homem da ria, um homem que se houver condições, juntamente com outros jovens, poderá continuar a tradição legada pelos avós.
haja querer que os moliceiros tradicionais e as regatas têm quem as continue.
quando alguns se queixam que não fazem porque a juventude não se interessa, na ria é ao contrário, há jovens que querem continuar, só precisa que lhes dêem condições.
dá deus nozes …..
(torreira; regata da ria; 2013)