os moliceiros têm vela (330)


hoje

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o “Doroteia Verónica” ainda era um moliceiro inteiro

entra em mim o outono
por debaixo da porta
deste estar aqui ainda

o vento levou as memórias
onde habito

fui-me e fiquei
para ser
o que esqueci

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o “Doroteia Verónica” ainda era um moliceiro inteiro

(torreira; regata da ria; 2011)

 

postais da ria (272)


meditação com a ria em fundo

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o ti zé rebeço, homem da ria

quem sou fez-se
quem me fez
não sei se o sabe

vou rente ao mar
enterro na areia os pés
equilíbrio precário
porém seguro e firme

crescemos aprendendo
dolorosamente por vezes

o cuidado no colher
da rosa
é evitar os espinhos

se visíveis forem

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ti zé rebeço, a ria como casa

(torreira; regata de bateiras à vela; s. paio ; 2013

postais da ria (271)


olhares cegos

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será negra a noite
mas nela encontrarás luz
suficiente

entre noite e noite
muitas cores povoarão
o dia e o teu registo

mas
a cor do dinheiro
ficou esquecida
nos teus postais

olha como quem vê
não como quem ignora

(torreira; safar redes; 2016)

lembrando joaquim namorado

conversas murtoseiras (4)


nascido na década de 40 do século XX na murtosa, onde viveu, francisco faustino é testemunha de um tempo que urge preservar.

veio ao mundo junto à ria e é descendente de gentes do mar, a sua vida profissional e o exercício pleno e permanente da cidadania, aliados a uma memória invejável e uma capacidade invejável de comunicação, tornam-no uma fonte de saber que não se esgota nas conversas que ficam registadas nos 4 vídeos.

o que destas conversas mais fica é o muito que haverá por saber e registar.

falar com o chico é um prazer e uma lição. isso aprendi

de 4 horas de conversa, ou melhor, de lição, este é o último registo.