há janelas

como não sonhar com vistas assim?
há janelas com ambição
de terem portas
serem casa
sem saberem de paredes
alicerces chão
há janelas que se inventam

quisera da minha janela as visse
(torreira; regata s. paio; 2014)
há janelas

como não sonhar com vistas assim?
há janelas com ambição
de terem portas
serem casa
sem saberem de paredes
alicerces chão
há janelas que se inventam

quisera da minha janela as visse
(torreira; regata s. paio; 2014)

ser ainda maior
ser maior que o medo
é arte de pescador

ah! mar dum raio
(torreira; companha do marco; 2015)
boa viagem meu irmão

o “a. rendeiro” mostra-se
não consigo escrever
o teu sorriso
a lágrima de alegria
a espera foi dura
contados os dias
não consigo escrever
a tua voz
como se muitos anos
mais jovem
abraço-te com palavras
e lembro-me de um verão
juntos rente às raízes
nesta nova viagem
sê feliz meu irmão

o ti zé rebeço mostra o que vale
(murtosa; regata do bico; 2009)
a capa

o salvador e o falecido pai, ti domingos, cirandam berbigão
não lhes conheces
o rosto o nome
o quanto
à mesa saboreias
o que deles
olhas os registos
estudas contrastes
enquadramentos
outro repasto
para outro prazer
regressarás quando
só porque viste
saboreaste sentiste
mas não lhes sabes
o nome o rosto
a vida
não contas a estória
lês do livro a capa

as cores da ria não dizem tudo das suas gentes
(torreira; cirandar)
pouco

e o maria de fátima desliza nas ondas
peço pouco
não sei sequer pedir
estranham-me por isso
uns livros
algum tempo
comida quanto baste
sem banquete ser
sei-me pouco
pouco peço

arribar só é fácil para quem não sabe
(torreira; companha do marco; 2015)
dos conhecidos

chamam-lhe recachia
há os do não
há os do sim
há os do talvez
teme os últimos

há recachia na ria
(torreira; regata da ria; 2010)
ser feliz aqui

caminho pelo olhar
e sonho
ignoro o por detrás
e fico-me
pela superfície vazia
onde tudo
pode ser o que eu
quiser
despedi da paisagem
o ruído
das gentes e seus dramas
esqueci
o indesejável saber da
injustiça
inventei ser feliz aqui

(torreira; porto de pesca)
aparelhar da mão de barca

e não são de cânhamo estas cordas
o massa e o bruno colocam um rolo de corda da mão de barca dentro do barco.
a cala da mão de barca fica debaixo do paneiro da proa até ao traste da proa

encontram-se as mãos no esforço, a companha é isso mesmo
(torreira; companha do marco; 2009)
a história não é estória

longe e perto
tenho o tamanho
que tenho
nem mais nem menos
saber o meu tamanho
é saber de mim
é essa a minha grandeza
não te temo por maior
que grande é o vendaval
e passa e morre e foi
digo-te que se quiser
terei o tamanho do tamanho
que tu tens e isso
faz de ti
alguém do meu tamanho
e de mim
um outro muito maior que tu
é com essa ilusão
de falsa grandeza
que do nosso prato
comes sentado à mesa
eu sei que vamos crescer
e papas na tua cabeça
comeremos mais uma vez
a história não é estória

é na meta que se vê o tamanho
(torreira; regata do s. paio; 2014)
parabéns amélia

o silêncio ouve-se
um alarme soou
no telemóvel
a minha memória
depende dele
mas
hoje não te telefono
sei que não atendes
não atenderás mais
escrevo-te
ouço-te vejo-te
resistes
com a energia
que só tu
“por favor
não me ponham de baixa”
não
não foste tu que desististe
tu nunca desististe de nada
foi a vida que desistiu de ti
parabéns amélia
quero que saibam
que hoje fazes anos

um postal para a amélia
(torreira)