a beleza do sal (17)


as minhas raízes

0 ahcravo_DSC_3802 licínio

o licínio a mexer

as minhas raízes
são os meus princípios
em qualquer geografia

o valor da palavra
raiz aprumada que me alimenta

a noção de justiça
a minha voz o meu gesto

a solidariedade
o meu estar aqui

as minhas raízes
herdei-as e fi-las
por vezes doem-me

(armazéns de lavos; mexer; 2017)

memória do mar da torreira


2016 foi o último ano que fotografei o mar da torreira, é da ordem natural das coisas haver um princípio e um fim em tudo.

do primeiro ano não me lembro, mas o último sei que foi 2016.

o vídeo que hoje publico representa o momento mais alto de muitos anos passados na praia da torreira. em 2006 publiquei-o, gravei-o em dvd, projectei-o no clube marítimo da torreira, no salão, que se encheu para o ver e ouvir os poemas que consegui dizer. não esqueço a presença do ti manel murta que, de muletas, demorou cerca de uma hora desde sua casa até ao salão, para ver o filme.

devo muito a muitos e continuo a considerar-me mais um, entre aqueles a quem trato pelo nome e me merecem o maior respeito.

10 anos depois dessa exibição e mais de 30 depois de ter tirado algumas das fotos que nele podem ser vistas, é este o momento de o divulgar mais amplamente. é o momento de abraçar quem durante tantos anos me abraçou.

não esqueço, não esquecerei nunca que os meus antepassados foram homens de mar, pescadores da xávega da torreira e da ria de aveiro.

os amigos que em 2006 compraram o filme que não me levem mal, mas o que sei hoje na altura não sabia. de qualquer modo o vídeo que possuem em dvd é mais completo que este.

é gente da torreira que, viva ou não, aqui fica. são pedaços de vida, da minha também, que ficarão durante algum tempo, nada é eterno e o tempo é sempre escasso, ao dispôr dos que um dia quiserem saber como era e dos que se quiserem lembrar dos seus tempos de juventude.

em especial ao meu arrais, joão da calada, e a todos um abraço amigo do cravo.

(figueira da foz; 22 de agosto de 2017)

a beleza do sal (16)


é verão

0 ahcravo_DSC_3781 buíça

buíça, marnoto, 81 anos de idade

salgados são os dias
cansado o corpo
vergado ao peso do sol
à pureza do sal

é verão
pelas praias a banhos
muitos são

salgados vão os dias
salgado é o pão

o sol que te queima
o mar em que te banhas
à tua mesa sal serão

salgados são os dias
salgado é o pão

é verão
às praias a banhos
nem todos vão

(armazéns de lavos; salina do buíça; mexer)