postais da ria (198)


notas de um retirante

o associativismo dos pescadores no concelho da murtosa

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o fernando bastos a cirandar, na bateira a esposa, vivelinda bastos

no livro “Breve História do Concelho da Murtosa” da autoria de Marco Pereira, houve o cuidado de fazer o levantamento do movimento associativo do concelho, listando por tipologia as diferentes associações existentes ou que tiveram existência. no que respeita a associações de natureza económica, não encontramos nenhuma referente ao sector das pescas.

de acordo com documentação que enviei ao autor foi, no entanto, fundada em 1921 a “A Associação de Classe dos Marítimos da Murtosa”, de que, entre outros, foi sócio fundador o meu bisavô Domingos José Cravo.

segundo documento da “Secção Administrativa e Policial de Estarreja” de 1937, informa-se o Governo Civil de Aveiro “que não há elementos que possam esclarecer como e quando acabaram as Associações dos “Marítimos da Murtosa” e …..”.

ou seja, foi sol de pouca dura.

seria interessante, em estudos futuros abordar o associativismo dos pescadores do concelho.

dou como exemplo o que se passa na torreira, onde se concentra a maior comunidade piscatória : os pescadores são representados, na sua maioria, por uma associação com sede em viana do castelo e por uma outra associação com sede em aveiro. a concessão da docapesca da torreira, foi ganha pela associação de aveiro.

se considerarmos que os pescadores descontam 1% para a associação que os representa e mais 1% para o concessionário da docapesca, talvez cheguemos a números interessantes.

tentei sabê-los mas …. até hoje nada.

porque é que o associativismo local não vinga entre os pescadores do concelho e vão buscá-lo fora?

mais que uma pergunta, fica um desafio para quem se dedica ao estudo das comunidades piscatórias.
(cirandar berbigão)

os moliceiros tem vela (245)


porque hoje, no brasil, é dia
nacional da fotografia e do fotógrafo

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o A. Rendeiro, com o ti zé rebeço ao leme e o manuel antão

para que se lembrem
ou acordem
os que podem querem e mandam
mas parece não saberem

que este pode ser
um dos motores do turismo temático
da ria
onde de novo
produzirá riqueza

assim o queiram
assim o saibam
assim o não ignorem
maltratem ou dele descuidem

para mim é dele o dia

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(torreira; regata do s. paio; 2014)

os moliceiros têm vela (244)


é tempo de moliceiros

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abílio fonseca (carteirista)

há gestos que dão vida
há silêncios que matam
há palavras que assassinam

há homens que se revelam
a cada instante
de uns fica a memória de terem sido
de outros a de serem para sempre

para o ti abílio mais que a palavra
o gesto o abraço o estar aqui
mesmo se retirado

em 2016
o ti abílio salvou-me o ano
que outros mataram

para ele 2017 é pequeno
o tempo todo não chega

é tempo de moliceiros
queiram ou não
será sempre

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80 anos de fibra

(regata do s. paio; 2016)

crónicas da xávega (188)


às gentes da xávega

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haja peixe certo no tempo certo

que 2017 traga às redes
o peixe o carapau a sardinha
que negou em 2016
no tempo certo

que nem todo o tempo o é
isso aprendi
por isso o desejo

a todos os que da xávega
fazeis vida

que os que ainda não vos respeitam
aprendam em 2017
que quando deixardes de ser
a sua terra perderá
muito mais de si
do que uma simples arte de pesca

perderá o futuro
porque deixou morrer
o passado

(torreira; 2015)