os moliceiros têm vela (280)


sonharei sempre

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sonharei sempre
de olhos abertos
atento às palavras

recuso-me a ser
o que cala e aceita
sem questionar

também o sol
que aquece e ilumina
projecta sombra

que dizer da lua
e das suas duas faces

sonharei sempre
de olhos atentos
questionarei

deixo as certezas
para os treinadores
de bancada

levo comigo a dúvida
companheira amiga
na busca de saber

sonharei sempre

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o “A. Rendeiro” com o ti zé rebeço e manel antão

(torreira; regata do s. paio; 2015)

postais da ria (224)


durmo mal

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safam-se as redes, limpa-se o lixo

sei demais
mesmo sabendo pouco

vivi muito
durmo mal

não me digas o que és
poderás iludir-me
com o dizeres-te-me

as ilusões são breves
por isso são

o tempo e tu mesmo
me dirão de ti
o que não me disseste

espero-te sentado
enquanto leio

não sei muito
mas vivi quanto baste
e durmo mal

não me embalas
com cantigas

(torreira; 2017)

crónicas da xávega (212)


destino de pescador

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à memória de cipriano brandão (gamelas)

não têm nome
são pescadores
só o mar a areia e o norte
os conhecem

quando por feitos
direito tiveram
a nome e o publicaram
a terra esqueceu-os

partem sempre um dia
humanos que são
perdem-se no nevoeiro
que sobre eles lançam

aqui estão todos
os que foram
os que ainda são
os de amanhã

não têm nome
não sei se o terão

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à memória de cipriano brandão (gamelas)

(torreira; 2016)