ilusão

só se perde
o que nunca se teve

(s. salvador; regata do bico; 2016)
ilusão

só se perde
o que nunca se teve

(s. salvador; regata do bico; 2016)
moliceiro

o tempo os homens as artes
memória
a árvore legada raiz
bandeira
um barco um nome
a terra
numa só palavra tanto
moliceiro
onde não há cultura não há
futuro
um sonho pode morrer assim

(torreira; s. paio; 2017)
a matemática da vida
(para o ti manel valas)

o moliceiro “manuel silva” do ti manel valas que, com o o zé pedro a timoneiro, ficou em 2º lugar
somar tudo
estar vivo é isso
a matemática
é simples
ao final da soma
chamam total
e subtraem-te

o moliceiro “manuel silva” do ti manel valas que, com o o zé pedro a timoneiro, ficou em 2º lugar
(regata da ria; 2013)
a escrita dos dias

reter
os gestos os rostos
as fainas os falares
as pegadas os rastos
não os meus não
por entre os dedos
o norte corre
a memória com ele
ficam as palavras
as imagens
um tempo descrito

(regata da ria; 2010)

desafio ao moliceiro

o baralho é velho
as cartas marcadas
os jogadores combinados
mas
sem ti não há jogo
se ele continua
a culpa é só tua
moliceiro

(recachia; regata da ria; 2010)
em louvor da música

os sons
são a paisagem
dos cegos

(torreira; regata do s. paio, 2014)
achega

achegar
fácil julgar o ontem
com os olhos de hoje
tão fácil que até tu
de juiz te vestes
papagaio
(morraceira, salina dos doutores; 2017)
dos sábios e da sabedoria

sábios os que não falam
porque não erram
sábios os que nada fazem
porque ninguém lhes critica a obra
mais sábia a estátua
onde poisam pombas
que lhe cagam em cima

(ria de aveiro; regata da ria; 2010)
carta aos resistentes

não se darem as mãos
não serem um
habitado por muitos
admiro que ainda
perguntas-me como
só encontro uma palavra
amor
assim a terra
o entendesse
não se darem as mãos
não serem um
habitado por muitos
não é sonho
é viver ou morrer

(regata do bico; 2017)
