
vai ao mar o saco, a lavar

vai ao mar o saco, a lavar

rer





dos lábios
em flor se abrem
para serem beijo

(torreira; 2011)
sem tempo

recriação de um lanço de xávega
é tempo do tempo
depois do tempo
tempo lembrado
onde fui
dentro do que foi
tempo reconstruído
o meu tempo
tempo guardado
tempo oferecido
sem tempo

recriação de um lanço de xávega
(torreira; 2013)
mau feitio

os rilho, pai e filho, a mesma faina
chamam-lhe rio
e é salgada a água
chamo-lhe memória
e é cada vez mais isto
imagens penduradas
nos olhos onde amigos
nascentes de sentir
chamo-lhe mar e digo
há outras praias
onde a mesma gente
com outros nomes
a mesma arte
tens mau feitio dizem
sabes não é fácil
ser rio de água salgada
(torreira; cirandar; 2016)
vou

falo do incerto
do por vir
todo o início é
teremos o tamanho
dos dias
que fizermos nossos
todo o caminho é
falo dos amigos
e a palavra fica por vezes
somente letras
incertos os dias
o por vir os amigos o caminho
incerto eu
na incerteza de tudo
se abrem os dias
por onde vou vou vou

(torreira; 2010)
lição no mar (10)
porquê o mar não sabem
lavam a alma uns
outros os olhos
a música a voz o longe
o efémero infinito todos
(27/12/18; aqui)

lição no mar (11)
o instante
apenas o instante
a espuma de ser
aqui tão sentida
(28/12/18; aqui)

lição no mar (12)
ser apenas
quantas terras quantos mares
dentro destas ondas breves
a ninguém dizem
de tão humildes
são apenas ondas
(29/12/18; aqui)

lição no mar (13)
tu
somaram-se os dias e tu
que ficou de ti no tempo
o fim do ano não é
o fim do mundo
escreveu drummond
afastas-te do início do passado
aproximas-te do início do futuro
tão ínfimo tu
(30/12/18; aqui)

bom ano a todos os que por aqui passarem
fui lavar a cara ao mar e quando voltei tinha prenda de iemanjá