aos que morreram pela mão do fogo (1)


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hoje é o primeiro dia
de luto

façamos dele
mais um dia de luta

pelo planeta
pelos povos
contra a estupidez cega
do lucro desenfreado

pelo cumprimento
do acordo de paris

hoje é o primeiro dia
de luto
mas não me basta que o seja
quero mais

hei-de querer sempre mais
um dia de luta

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(regata da ria, 2010)

os moliceiros têm vela (265)


aos que morreram pela mão do fogo

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aos que morreram pela mão do fogo
e foi atroz a sua morte
nada os trará de volta

mas que fique claro
que nada acontece só
por vontade da natureza

há mão do homem
a forçar o evitável

quando se lembrarem deles
lembrem-se do acordo de paris
da urgência de o cumprir

aos mortos
nada os trará de volta
aos vivos
que lhes sirva de lição

isto anda tudo ligado
escreveu o poeta há muito
mas podia escrevê-lo hoje

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(regata da ria; 2009)

os moliceiros têm vela (264)


cuidado com os crocodilos

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sábado 1 de julho
dentro de duas semanas
por esta hora
estaremos na ria
seremos de novo os cisnes
renascidos

aos que abatidos foram
a memória trá-los de volta
e honra-os
aos que mutilados
andam pelos canais de aveiro
a memória trá-los de volta
belos e inteiros

aos homens que continuam
por amor e com amor a tudo fazer
para que os moliceiros não morram
a memória dirá deles que heróis foram

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um dia
porque poderá haver um dia
haverá nos olhos de alguns
lágrimas de crocodilo

fica para esses um aviso

não se aproximem da ria
porque podem
aparecer crocodilos a sério

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(regata da ria; 2009)

postais da ria (212)


poderia

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ciranda de dois ( ou será de casal?)

poderia escrever
os nomes dos barcos
dos homens das mulheres
dos ganhos das perdas
das artes das artimanhas
da compra da venda
dos contratos doutros tratos

poderia

mas deixo para ti
esse caminho doloroso
que já percorri

também tu
deves aprender
como se vive por aqui

(torreira; cirandar; 2016)