talvez
somam-se os dias a incerteza o último cigarro o primeiro beijo quando talvez a palavra a única certeza
40 anos

quarenta anos quantos quilómetros são os nomes somam-se e desaparecem como os amores os poemas os livros as paixões as febres de todas as noites menos às segundas o porquê sabe quem lá andou os cafés os cinemas o teatro a música e um amigo ao ouvir as palmas no fim do concerto a perguntar a quem bate esta gente palmas ao autor ou ao intérprete quarenta anos quantos quilómetros são manel ari pedro bustorff elisa nicolau mila saldanha vasquinho virgilio luís miranda ml e o boi negro do júlio fortemente aurelino paulo archer bandeirinha os galifões pinto vitor gordo calado todos os que não lembro e os que são para esquecer o dr joaquim namorado o professor doutor orlando de carvalho porque não se a voz ainda a oiço o soveral a centelha a rua das matemáticas o 40 a fenda os folhetos os livrinhos as sessões ao vivo e ao que viesse tropical piolho moçambique pigalle praça da república sempre etc barmácia pinto douro faculdade de ciências de letras de dia de noite a qualquer hora as letras meu deus e as ciências que não eram exactas mas eram coimbra até às tantas tantas que nem sei quantas quarenta anos quantos quilómetros foram digam-me minhas santas
(escrito às 02h de 16/03/2021, na figueira da foz)
pensa-te a realidade não é o que escreveste fotografaste pintaste muito pouco seria se só isso registas apenas parcelas do todo crias um novo real és por isso responsável pelo teu mundo é teu oferta tua aos outros cuida do teu jardim pensa-te
a escolha das fotos e do poema foi feita no estados unidos
os amigos da terra, da terra são porque dela gostam e, por vezes, oferecem-nos prendas assim
ficam na sombra porque sempre ficaram, são amigos muito especiais
abraço-os