agora

deixo que inventes as palavras que te diria se nos déssemos por dentro do silêncio onde somos peixes e aves flores e gazelas

obrigado eugénio
dizer o teu nome dizer tantas vezes a mesma palavra até ela perder o sentido a sua ligação com o nomeado dizer como é doloroso o parto das palavras que ainda não disse ou se disse como as escrevi dizer tanto em tão pouco ser imenso e ínfimo límpido e complexo escrever “com palavras amo” e escutá-las na boca do outro
de abril a vinte e cinco
de abril a vinte e cinco o cravo barato vulgar povo foi símbolo sem querer sem espinhos foi sonho sem espinhos foi ilusão sem sangue cansados de tanto abril a vinte e cinco foi porta foi janela o poder ser se fosse o cravo cacto espinhoso no extremo a flor a colher tivessem sangrado as mãos fosses tu a colhê-lo não o sonho ofertado fosses tu a colhê-lo fosses