crónicas da xávega (294)


pedras
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a manga do reçoeiro a passar no alador

 
a meio do caminho
surgem muitas pedras
no meio do caminho
 
difícil saltar por cima
das pedras
mudar de caminho
não será fácil
 
mas
a meio do caminho
ainda falta outro meio
 
mude-se de caminho
as pedras são o que são
pedras e nada mais
 
(torreira; 2016)
 

postais da ria (291)


tremo muito
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safam-se as redes para que se não safem os chocos

 
vêm devagar as palavras
cansadas de tanto
 
carregadas de memória
vergam-se
 
está frio cada dia mais
cubro-me com 
letras nomes sons
 
tremo
tremo muito
 
vão depressa as palavras
urge guardá-las
 
(torreira; 2018)

os moliceiros têm vela (343)


devagar
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aprendi cedo a ler
reconhecer as letras
soletrar sílabas
decifrar frases
 
percorro parágrafos
como se de bengala
as palavras não correm
talvez por isso o povo diga
que mais depressa um coxo
 
sou dos que lêem devagar
como ando
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(torreira; regata da ria; 2010)

postais da ria (289)


gente da ria
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conheço-lhes os gestos
por vezes os nomes
 
são muitos anos
ou
foram muitos anos
 
conheço-lhes os gestos
por vezes os nomes
adivinho famílias
 
artes de pesca
artistas alguns
no engano de
 
nas malhas dos dias
muitos ficaram aqui
não presos guardados
 
(torreira; safar redes; 2016)